Volatilidade geopolítica é maior ameaça às empresas em 2026
É tempo de líderes europeus "pararem de ser cúmplices" e responderem com firmeza a ameaças de Trump, diz governador da Califórnia, Gavin Newsom. Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirma que ordem baseada em regras que só servem grandes potências acabou e que é "preciso reduzir a influência que permite a coacção".
A volatilidade geopolítica é o principal factor que influencia as estratégias das empresas em 2026, ano em que a Inteligência Artificial (IA), a fragmentação geopolítica e o aumento das fraudes cibernéticas moldam os riscos cibernéticos, segundo revela o Global Cybersecurity Outlook 2026 do Fórum Económico Mundial (FEM), que reúne em Davos, Suíça, mais de 3.000 participantes.
O relatório mostra o receio dos CEOs no "ambiente geopolítico mais complexo desde 1945", segundo Børge Brende, presidente e CEO do Fórum, um momento de viragem, como frisou o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendendo em Davos que é preciso "reduzir a influência que permite a coacção" e construir uma nova ordem.
Num discurso muito aclamado e que tem sido amplamente partilhado, Carney incitou os países a construírem "instituições e acordos que funcionem como previsto" e não pelo que se proclama, quando o mundo se prepara para "enterrar" a geopolítica das grandes potências que actuam sem controlo. "Não se pode "viver na mentira" do benefício mútuo através da integração quando esta se torna a fonte da subordinação", declarou, acrescentando que é do conhecimento comum que "a história da ordem internacional baseada em regras era parcialmente falsa" e que "o direito internacional era aplicado com rigor variável, consoante a identidade do acusado ou da vítima", assim como as regras comerciais.
A 56ª edição do Fórum Económico Mundial arrancou segunda- -feira, dia 19, com as políticas do Presidente dos EUA a moldar as grandes discussões deste ano, após o primeiro ano do segundo mandato, marcado por tarifas, perseguição a imigrantes e ameaças de intervenção militar a vários países, incluindo a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca e um dos membros da NATO.
Chega de ser cúmplice
A Gronelândia surgiu no radar de Trump após o ataque de 3 de Janeiro à Venezuela, que o Presidente brasileiro, Lula da Silva, classificou como "mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a II Guerra Mundial", num artigo publicado no New York Times, com o título "Este hemisfério pertence a todos nós".
Sem nunca se referir a Trump, Lula deixa claro que o Brasil "não será subserviente a iniciativas hegemónicas" e que "é crucial que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável".
A lidar com uma crise dentro de portas, desde que Trump ameaçou anexar a Gronelândia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou terça-feira, em Davos, que a UE irá dar uma resposta "firme, unida e proporcional" às tarifas adicionais dos EUA devido à Gronelândia.
Mas a declaração de von der Leyen não impressionou o governador Democrata da Califórnia. Gavin Newsom classificou a reacção da Europa às ameaças de Trump como "e disse que é tempo de os líderes europeus "pararem de ser cúmplices".











