Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Economia

INE tira 3 milhões ao desemprego e 1,4 milhões aos empregos formais

NOVA METODOLOGIA FAZ DISPARAR INACTIVIDADE NO PAÍS NO IV TRIMESTRE DE 2025

As novas metodologias utilizadas pelo Instituto Nacional de Estatística continuam a fazer "milagres" à economia nacional. Depois das contas nacionais, que sofreram uma revolução nos cálculos, corrigindo em alta o crescimento económico e suavizando as recessões, agora é a vez do desemprego que passa a 20,1%. Metade das pessoas em idade activa não trabalha nem quer trabalhar.

A aplicação de novas metodologias no inquérito sobre o emprego em Angola, que deram início a uma nova série estatística a partir do IV trimestre de 2025, cortaram mais de 3 milhões de angolanos aos números do desemprego, mas também afectaram o número de empregados formais, que caiu quase 1,4 milhões face ao III trimestre do ano passado, de acordo com cálculos do Expansão com base na Folha de Informação Rápida (FIR) do Inquérito sobre Emprego em Angola (IEA) publicado esta quarta-feira. Os dados empurraram informais e desempregados para a inactividade.

No início do relatório, o INE diz logo ao que vai: "Esta FIR assinala um marco importante na produção de estatísticas do mercado de trabalho no país, por incorporar, pela primeira vez, as mais recentes resoluções emanadas da 19.ª, 20.ª e 21.ª Conferências Internacionais de Estatísticas do Trabalho (CIET), promovidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT)".

E acrescenta: "Com esta edição, inicia-se uma nova série estatística do Inquérito sobre Emprego em Angola. Em virtude das alterações conceptuais e metodológicas introduzidas, os resultados agora apresentados não são directamente comparáveis com os dados produzidos segundo a metodologia anterior. Assim sendo, o INE desaconselha a realização de comparações trimestrais, anuais ou homólogas entre os dados divulgados nesta nova série e aqueles que haviam sido compilados com base no quadro metodológico precedente".

Já nos relatórios relativos ao II e III trimestre de 2025 o INE tinha utilizado uma nova metodologia, que resultou do Recenseamento Geral da População e Habitação 2024, que aumentou em 818 mil o número de empregados formais que, por acaso, colocou os empregos formais do inquérito a "bater" com o número de pessoas inscritas na Segurança Social naquela altura: 3.241.104.

Agora, com mais uma nova metodologia, mais moderna, os números voltam a baralhar e, afinal, segundo o INE, apenas 1.903.389 de angolanos com mais de 15 anos tinham um emprego formal em Dezembro de 2025, menos 1.375.807 do que no final do III trimestre do ano passado. Números que, desta forma, são bastante inferiores aos que constam na base de dados da Segurança Social.

Ainda que os dados do INE sejam obtidos através de inquérito, este desfasamento é muito elevado e abre a porta a desconfiança sobre a qualidade destes inquéritos. Esta alteração constante nas metodologias utilizadas pelo INE são contestadas no meio académico, com vários especialistas a considerarem que são quase sempre favoráveis ao Governo, como é o caso agora, que aponta a uma taxa de desemprego de 20,1%, bastante abaixo dos 30,4% registados no período homólogo, com a metodologia mais antiga, ou dos 29,6% registados no III trimestre com outra metodologia.

"Neste caso o INE limpa desempregados e empregados informais para a inactividade. Assim, a taxa de actividade passa de 88% para míseros 50%. A credibilidade destes inquéritos é igual a 0%. Repare que se tratam de estatísticas, valem o que valem.A importância das estatísticas prende-se com a possibilidade de ver as variações entre os diferentes períodos. E estas alterações de séries impedem análises", admite um académico, que pediu anonimato por ainda não ter aprofundado os resultados do inquérito agora publicados.

Há indicadores que mudam agora com a nova metodologia. Por exemplo, na anterior o INE considerava a população com mais de 15 anos economicamente activa (tinha trabalho ou procurava trabalho) e agora passou a catalogar como "Força de Trabalho".

Leia o artigo integral na edição 864 do Expansão, sexta-feira, dia 20 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo