Penetração dos seguros recua para 0,5% e afasta-se da meta dos 3%
Apesar de os prémios terem crescido 24% em 2025, para um máximo de 586,9 mil milhões Kz, o mercado perdeu mais de 432 mil apólices. Seguradoras facturam mais, mas continuam longe das famílias e cada vez mais dependentes dos grandes contratos empresariais.
A taxa de penetração dos seguros no Produto Interno Bruto (PIB) caiu para 0,5%, depois de quatro anos praticamente estagnada nos 0,6%, tornando cada vez mais difícil a meta de chegar aos 3% em 2029, valor próximo da média dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
O problema é que os números do negócio parecem contar uma história diferente. Em 2025, os prémios brutos emitidos pelas seguradoras cresceram 24%, para 586,9 mil milhões Kz, contra 473,7 mil milhões no ano anterior.
Foi um novo máximo em kwanzas e, desta vez, o crescimento ficou acima da inflação. Mas o número de apólices caiu 38,2%, de 1,134 milhões para apenas 701 mil, ou seja, desapareceram mais de 432 mil apólices num único ano. As seguradoras facturam mais, mas não estão necessariamente a chegar a mais pessoas.
O crescimento continua muito suportado pelos grandes contratos empresariais e por prémios de maior valor, enquanto milhões de famílias e milhares de pequenas empresas permanecem fora do sistema. A consequência aparece na taxa de penetração, indicador que compara os prémios de seguros com a dimensão da economia. Quando baixa, significa que o sector está a perder peso relativo na riqueza produzida pelo País, mesmo quando aumenta a facturação em kwanzas.
Para atingir 3% em 2029, o mercado terá, por isso, de fazer muito mais do que actualizar prémios com a inflação ou aumentar a facturação junto dos clientes que já tem. Terá de alargar significativamente a base segurada e crescer, durante vários anos, muito acima do crescimento nominal da economia. A própria Estratégia Nacional de Inclusão Financeira reconhece que cerca de 95% dos angolanos não recorrem aos seguros, apesar de estarem sujeitos a acontecimentos que poderiam ser protegidos por apólices. Entre os principais obstáculos estão o desconhecimento sobre os produtos, a reduzida capacidade financeira das famílias e as limitações da rede de distribuição.
A concentração do mercado agravou-se em 2025. Saúde e Petroquímica geraram, em conjunto, cerca de 318 mil milhões Kz em prémios, o equivalente a 54% de toda a produção seguradora do País. Ou seja, apenas dois ramos absorvem mais de metade de um mercado onde dezenas de outras coberturas continuam com expressão reduzida. Um único grande contrato petrolífero pode representar milhares de apólices de reduzido valor vendidas às famílias. A concentração não está apenas nos ramos de actividade, mas também nas empresas que controlam o negócio.
As cinco maiores seguradoras - ENSA, Nossa Seguros, Fidelidade, SanlamAllianz e Viva Seguros - concentraram cerca de...











