Brent volta a valorizar com receios sobre oferta global de petróleo
Os preços do petróleo negoceiam em alta esta terça-feira, impulsionados pelo agravamento das tensões no Médio Oriente e pelo aumento dos receios de que o conflito possa prolongar-se, numa altura em que as perspectivas de uma resolução rápida entre Washington e Teerão se tornam cada vez mais distantes.
O Brent, referência para as exportações angolanas, avançava 0,98%, para 91,76 USD por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, valorizava 1,27%, para 85,57 USD por barril.
A subida ocorre num contexto de elevada incerteza geopolítica, depois de um novo ataque contra um navio no estreito de Ormuz ter reforçado as preocupações dos investidores sobre a segurança da navegação numa das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.
A tensão aumentou também depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter sinalizado que não está interessado em prolongar o acordo de cessar-fogo com o Irão, que expirou tecnicamente na segunda-feira. Apesar das negociações, Washington e Teerão continuam separados em questões consideradas fundamentais, entre as quais o futuro do estreito de Ormuz e as condições para um eventual novo entendimento.
Segundo a Fox News, Trump terá mesmo ameaçado bombardear Omã caso o país interferisse num eventual bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irão. A declaração, feita durante uma entrevista telefónica na segunda-feira, contribuiu para aumentar a perceção de risco nos mercados energéticos.
Outros membros da Administração norte-americana também deram sinais de que Washington não pretende acelerar o fim do conflito. O secretário da Energia, Chris Wright, afirmou à Fox News que os Estados Unidos estão a adotar uma estratégia de longo prazo em relação ao Irão, enquanto Jared Kushner, enviado especial e genro de Trump, indicou que o Presidente republicano está disposto a manter uma postura paciente nas negociações para alcançar um novo acordo.
Para os mercados petrolíferos, o principal foco de preocupação continua a ser o estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo e gás. Qualquer perturbação prolongada naquela passagem marítima poderá pressionar a oferta internacional e aumentar a volatilidade dos preços.
A evolução dos preços deverá, por isso, continuar fortemente dependente dos desenvolvimentos militares e diplomáticos na região. Enquanto persistirem as ameaças de novas operações e não houver sinais claros de um acordo entre Washington e Teerão, os investidores deverão manter uma postura cautelosa, incorporando nos preços um prémio de risco geopolítico mais elevado.











