Capacidade instalada de produção de óleo alimentar já garante o consumo no País
Se todas as fábricas de óleo alimentar instaladas no País estivessem a produzir perto da sua capacidade instalada, não seria necessário importar este produto. No entanto, a realidade é outra. Continua a recorrer à importação de óleo bruto para refinar e produto acabado para embalar. Esta semana foi inaugurada a fábrica da Rafinole.
A inauguração da fábrica de produção de óleo vegetal da Rafinole - Comércio e Serviços, Lda, esta segunda-feira, em Luanda, acrescenta mais capacidade industrial a um sector que tem crescido rapidamente nos últimos anos, mas que continua marcado por uma contradição estrutural: Angola já tem capacidade para produzir mais óleo alimentar do que consome, mas continua dependente da importação de matérias-primas e opera bastante abaixo do potencial instalado.
A nova unidade industrial, um investimento avaliado em cerca de 90 milhões de dólares, foi inaugurada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, numa cerimónia que contou também com a presença do ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns. A fábrica tem capacidade para produzir cerca de 400 toneladas de óleo vegetal por dia, o equivalente a aproximadamente 453 mil litros, o que representa uma produção anual estimada em 110 milhões de litros, considerando um regime de funcionamento sem fins-de-semana e feriados. A unidade dispõe de quatro linhas de produção contínuas, dedicadas à refinação e ao embalamento de óleo alimentar.
Além disso, inclui capacidade industrial para produzir 18 mil toneladas por ano de margarinas e gorduras vegetais, bem como linhas destinadas à produção de maionese e outros condimentos, com capacidade projectada de seis mil toneladas anuais, e ainda cerca de sete mil toneladas de vinagre por ano. O complexo industrial inclui igualmente um sistema de engarrafamento com capacidade anual de cerca de 480 mil toneladas, embora parte dessa capacidade ainda não esteja em plena operação.
Do ponto de vista social e económico, a empresa emprega actualmente 130 trabalhadores angolanos, número que deverá crescer para 300 postos de trabalho directos até ao final do ano. A Rafinole produz marcas como Primavera, Massima, Biba e Santa Clara, e disponibiliza também serviços de produção para marcas próprias (private label).
Mais capacidade num sector já em expansão
Durante a inauguração, o ministro da Indústria e Comércio destacou que o crescimento da produção na As fábricas a produzir em Angola trabalham entre 50 a 70% da sua capacidade instalada A fábrica da Rafinole foi inaugurada esta semana e tem capacidade para processar 400 ton/dia cional de óleo alimentar resulta das políticas de substituição de importações e de reforço da indústria transformadora adoptadas pelo Executivo nos últimos anos. Segundo Rui Miguêns, a capacidade industrial instalada em Angola para processamento de óleo vegetal ultrapassa actualmente 1.300 toneladas por dia, valor que resulta da entrada em funcionamento de várias unidades industriais. Entre elas encontra-se agora a Rafitec, localizada na zona da Boavista, em Luanda.
Com a entrada da Rafinole, o sector passa a contar com mais um operador relevante, juntando-se a empresas como Grupo Carrinho, Sovena, Induve, Grupo Naval e Angoalissar, que nos últimos anos investiram na refinação e embalamento de óleos vegetais no país.
A expansão industrial do sector tornou possível atingir uma capacidade de produção que já se aproxima - ou mesmo ultrapassa - o nível de consumo nacional. Estimativas de mercado indicam que o consumo de óleo alimentar em Angola ronda 380 mil a 400 mil toneladas por ano, o que corresponde a cerca de 420 a 435 milhões de litros. Isto significa um consumo médio de aproximadamente 1.100 a 1.200 toneladas por dia.
Comparando estes números com a capacidade industrial atualmente instalada - superior a 1.300 toneladas por dia - verifica-se que o País já dispõe de capacidade suficiente para satisfazer grande parte da procura interna, pelo menos do ponto de vista da refinação e embalamento.
Fábricas operam abaixo do potencial
Apesar disso, a maioria das unidades industriais do sector não opera em plena capacidade. Fontes da indústria indicam que muitas fábricas funcionam actualmente entre 50% e 70% da capacidade instalada, devido sobretudo à dificuldade de acesso regular a matérias-primas. A maior parte do óleo refinado produzido em Angola resulta da transformação de óleo bruto importado, principalmente óleo de palma, soja e girassol. Estas matérias-primas são adquiridas sobretudo em mercados como Indonésia, Malásia, Brasil e Argentina, que dominam o comércio mundial de óleos vegetais.
Assim, embora a industrialização tenha avançado de forma significativa, a base agrícola da cadeia produtiva continua frágil, o que limita a substituição efectiva de importações. Mesmo com o aumento da produção nacional, Angola continua a importar quantidades significativas de óleos vegetais e matérias-primas associadas.
Nos últimos anos, o padrão das importações alterou-se, em vez de óleo alimentar já embalado, cresce a importação de óleo bruto destinado à refinação local. À partida, este modelo permite aumentar o valor acrescentado gerado no País, através da transformação industrial, da embalagem e da distribuição. No entanto, mantém a dependência externa em relação às matérias-primas, o que expõe o sector às oscilações dos preços internacionais e à disponibilidade de divisas.
Preços baixam mas os desafios mantêm-se
Segundo o ministro da Indústria e Comércio, o aumento da capacidade produtiva interna já contribuiu para uma redução média de cerca de 25% no preço do óleo alimentar no mercado nacional, beneficiando os consumidores. Ainda assim, os operadores do sector reconhecem que o verdadeiro desafio passa por desenvolver uma cadeia agrícola capaz de produzir localmente as oleaginosas necessárias, como palma, soja e girassol. Sem esse passo, a indústria continuará a desempenhar sobretudo o papel de refinadora de matérias-primas importadas, limitando o impacto estrutural da política de substituição de importações que o Governo procura promover...











