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Estado dá garantia soberana à Biocom para crédito de 210 milhões USD

Investimento

Financiamento visa investimento global de 300 milhões USD para reforçar capacidade de produção agrícola do projecto. Contrato deve ser assinado em Novembro com sindicato de bancos angolanos.

A Biocom deverá assinar com um sindicato de bancos angolanos, no início de Novembro, um contrato de financiamento de 210 milhões USD com garantia do Estado para prosseguir o investimento no projecto, revelou ao Expansão o responsável financeiro da empresa.

A partir de 2016, disse António Pereira, o cash flow gerado pela operação já deverá libertar meios para investir na ampliação da capacidade da empresa de produção e comercialização de açúcar, etanol e electricidade a partir de biomassa.

O decreto presidencial que concede a garantia soberana sobre 100% do financiamento foi publicado no passado dia 6 de Outubro em Diário da República e vem "clarificar" alguns aspectos que "geravam dúvidas" num diploma que tinha sido emitido em Setembro, afirmou o responsável.

Esse diploma, explicou, concedia uma garantia de 70% sobre um crédito de 300 milhões USD, sendo que, agora, garante a totalidade de 210 milhões. O resto do dinheiro para o investimento necessário será oriundo sobretudo de "aporte accionista", afirmou o gestor, que lembrou que este tipo de garantias está previsto na lei para projectos com mérito comprovado.

O Angola Investe, aliás, prevê igualmente a emissão de garantias públicas a financiamentos, mas destina-se a projectos de menor dimensão. Neste caso, a Biocom pagará ao Estado uma comissão de 4% sobre o financiamento, lembra o gestor do projecto, que arrancou em 2008 no Malanje e vai terminar este ano a 15% da capacidade.

Em 2016 estará a 30% da capacidade, e em 2018, a 70%, prevendo- se que em 2019 atinja a "maturidade", disse António Pereira, explicando que, ao longo deste período, o investimento será feito sobretudo "no reforço da capacidade agrícola".

"Temos 50% de área agrícola por preparar", explicou o gestor, revelando que, no final de 2014, os activos auditados do projecto, que correspondem essencialmente ao investimento realizado, ascendiam a cerca de 880 milhões USD. Nesta altura, o activo, ainda não auditado, está próximo dos 950 milhões USD, disse.

A partir do próximo ano, sublinhou António Pereira, a operação já vai libertar fluxos financeiros para investir no crescimento, para além do pagamento do serviço da dívida. Este ano "já se registou alguma receita", mas insuficiente para garantir o financiamento da expansão, disse.

A Biocom está instalada no Pólo Agro-Industrial de Capanda, município de Cacuso, numa área de 42,5 mil hectares dos quais 36.921 são agricultáveis e 5.579 destinam-se a áreas de preservação permanente da vegetação nativa, refere o site da companhia.

A produção de açúcar da Biocom destina-se ao mercado interno, e a produção de energia eléctrica tem como cliente a ENE, enquanto o etanol anidro será fornecido à Sonangol.

A empresa é detida a 40% pela Odebrecht, 40% pelo Grupo angolano Cochan - fundado pelo empresário Leopoldino Fragoso do Nascimento - e a 20% pela Sonangol.

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