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Exploração e produção traz Sonangol de regresso aos lucros, um ano depois dos prejuizos

EXPANSÃO ANALISA AS CONTAS DA PETROLÍFERA EM 2021

Especialistas falam dos desafios da Sonangol para produzir 10% do petróleo em blocos operados até 2027. José Oliveira afirma que a meta é possível e que este aumento será feito por via dos investimentos nos campos dos blocos 3/05 e 4/05 operados pela petrolífera. Patrício Quingongo e Flávio Inocêncio incentivam novas descobertas.

O bom desempenho do sector de upstream permitiu à Sonangol regressar aos lucros em 2021, recuperando dos prejuízos do exercício económico anterior, ao registar um resultado líquido de 1,337 biliões Kz, equivalente a 2,4 mil milhões USD. Para aumentar a influência desta que é por sinal a sua principal área de negócios nos lucros, a petrolífera pretende abandonar os negócios "non core", que só têm dado prejuízos, e aumentar a sua quota de produção de petróleo em blocos por si operados, passando dos actuais 1,9% para pelo menos 10% em 2027.

Para o efeito deverá aumentar os investimentos na pesquisa e exploração e desenvolvimento dos blocos petrolíferos em que é operadora. Ainda assim, de acordo com cálculos do Expansão, os investimentos na pesquisa até estão a subir mas só valem 3% dos 855 mil milhões Kz gastos pela petrolífera em exploração e produção em 2021. Especialistas ouvidos pelo Expansão explicam que só há três caminhos para a Sonangol aumentar a sua quota de produção em blocos operados para pelo menos 10% até 2027.

O primeiro e o principal caminho para o aumento da produção da Sonangol em blocos operados, segundo José Oliveira, passa por investimentos nos blocos em que a petrolífera é operadora. "O aumento dos volumes de produção operada pela SONANGOL P&P vão resultar de investimentos nos blocos 3/05 e 4/05, onde tem campos já descobertos que planeia pôr em produção", explica o colaborador do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola.

A segunda passa por descobrir petróleo nos dois blocos em exploração no País que se encontram em águas profundas (blocos 23 e 27). Graças ao "farm out" (venda de participação) está desbloqueada a pesquisa e exploração nestes blocos. Entretanto, por estes blocos se encontrarem em águas profundas a descoberta pode levar entre 5 a 10 anos, ou seja, o seu impacto só se vai sentir depois de 2027 e caso sejam feitas descobertas comerciais.

Ainda assim, há especialistas que acreditam que pelo caminho da pesquisa e exploração nos blocos operados em fase de exploração (23 e 27) as probabilidades de a petrolífera estatal descobrir e trazer crude a produção nos próximos 5 anos são remotas mas não impossíveis. Para tal seria necessário muito investimento em tecnologia, know-how e as parcerias certas. Os especialistas recordam que Angola já tem um caso de transformação rápida de reservas em produção e citam o exemplo da ENI no bloco 15/16, no qual a empresa Italiana conseguiu descobrir e trazer petróleo a produção em apenas 8 meses. Aliás, Patrício Quingongo acredita que a Sonangol terá uma palavra a dizer nas licitações de blocos petrolíferos dos próximos 3 anos e poderá ser uma das principais candidatas a operar os blocos a ser licitados pela ANPG entre 2023 a 2025.

O terceiro caminho e mais imediato de aumentar a quota de petróleo produzido pela Sonangol em blocos operados seria por via da compra de participações em blocos já em produção e com elevadas reservas provadas. Mas este caminho mostra-se improvável já que as operadoras multinacionais em Angola estão a reforçar investimentos e não têm qualquer interesse de alienar os seus activos no país.

"farm out" desbloqueia exploração paralisada

A aposta da petrolífera estatal é focar-se no seu core business de pesquisa, exploração, produção de petróleo e seus derivados e ir abandonando as áreas não core. Uma análise aos relatórios e contas da petrolífera estatal nos últimos 5 anos mostra os desafios colocados pela dívida excessiva e cash calls no processo de transformação da petrolífera estatal rumo à sua meta de produzir pelo menos 10% do petróleo produzido em Angola em blocos operados.

De acordo com o relatório e contas 2021, a Sonangol apenas tem dois blocos na fase de pesquisa e exploração. Tratam-se dos blocos 27 e 23 que foram alvo de alienação parcial por parte da Sonangol que até ao início do ano tinha 100% da participação em ambos os blocos. Após a conclusão do "farm out" da Sonangol, estes blocos poderão ter a seguinte configuração: no Bloco 23 a petrolífera estatal vai reduzir a sua participação no bloco de 100% para apenas 20% e entram com 40% cada os britânicos da Afentra e o consórcio da Petrolog, Namcor. Já a Séqua fica igualmente com 40%.

No bloco 27, na Bacia do Namibe, licitado em 2019, a Sonangol usou a mesma fórmula para desbloquear a exploração saindo de detentor de toda a participação para apenas 35%. Para ajudar a colocar em movimento a actividade de exploração neste bloco entram o consórcio Somoil e Sírius, com 25%, e a Namcor, Sequa e Petrolog com 35%. Alias, conforme noticiou o Expansão, com o "farm out" da Sonangol em 8 blocos prevê-se a arrecadação de quase mil milhões de USD, sendo que este dinheiro será aplicado para pagamento de dívidas, cash calls e investir na actividade de exploração.

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