Indicadores melhoram, mas empresários continuam a sentir os mesmos problemas
Expectativas dos empresários sobre a economia no curto prazo melhoram, num contexto marcado pela subida do preço do petróleo, da queda da inflação e das taxas de juro e pelo controlo administrativo da taxa de câmbio. Os números apontam um sector empresarial mais optimista, mas ainda longe de uma situação em que os principais constrangimentos tenham sido ultrapassados.
Depois de registar o pior arranque dos últimos cinco anos em Março deste ano, o Indicador de Clima Económico (ICE), que mede a confiança dos empresários sobre a evolução da economia nacional no curto prazo, avançou cinco pontos percentuais no II trimestre deste ano face ao período homólogo de 2025, fixando-se nos 10 pontos, o que significa que os empresários e gestores estão mais optimistas sobre da evolução da economia no curto prazo, segundo cálculos do Expansão, com base no Inquérito de Conjuntura às Empresas do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Trata-se do nível mais alto de confiança dos empresários dos últimos nove trimestres. Para encontrar um indicador superior a este, é necessário recuar ao primeiro trimestre de 2024, quando o ICE se fixou nos 11 pontos. É também o 19.º trimestre consecutivo em que o indicador de confiança dos empresários se mantém em terreno positivo (optimismo), depois de cinco anos em terreno negativo. Assim, os actuais 10 pontos do ICE correspondem ao saldo das respostas extremas, ou seja, à diferença entre as avaliações positivas e negativas dos empresários sobre as perspectivas de evolução da economia angolana no curto prazo. Isto significa que a percentagem de empresários com perspectivas positivas sobre a evolução da economia nacional no curto prazo excede em 10 pontos percentuais a dos que têm expectativas negativas.
E na base desta melhoria está a evolução de alguns indicadores macroeconómicos, com o petróleo em alta e outros factores que acabam por impactar a actividade empresarial, como a queda da taxa de inflação para um dígito e, consequentemente, a redução das taxas de juro directoras do BNA, que pressionam a LUIBOR ( taxa que serve de base para a formação das taxas de juro aplicadas aos créditos concedidos a particulares e empresas) para baixo e tornam o crédito mais barato. Outro factor é a estabilidade cambial resultado de um controlo administrativo da taxa de câmbio face à moeda norte-americana, com o kwanza a manter-se praticamente estagnado nos 912 Kz por dólar desde Dezembro de 2024.
Mas uma economia com melhores indicadores macroeconómicos não é necessariamente uma economia em que as empresas conseguem produzir, vender e investir com maior facilidade. E isso é evidente porque os empresários e gestores continuam a apontar os mesmos problemas, nomeadamente, dificuldades financeiras, juros altos, insuficiência da procura, excesso de burocracia, falta de matérias- -primas e escassez de mão-de- -obra qualificada como factores que condicionam a actividade. É nesta contradição que está a principal leitura do actual clima empresarial: as expectativas melhoram antes de os constrangimentos desaparecerem.
Só para se ter uma ideia, a melhoria dos indicadores económicos tende a ocorrer em períodos eleitorais, tal como aconteceu em 2022, quando a taxa de inflação, que vinha de níveis superiores a 20% nos anos anteriores, caiu para 13% naquele período. O kwanza também se valorizou e chegou a atingir cerca de...











