Nova fábrica de fogareiros melhorados junta indústria, ambiente e inclusão social
Nova unidade do Hoji-ya-Henda criou mais de 260 empregos e integra um programa que já beneficiou um milhão de pessoas com soluções de cozinha mais eficientes e sustentáveis. A ENI é a promotora do projecto.
A inauguração da nova fábrica de fogareiros melhorados no município de Hoji-ya-Henda, em Luanda, representa mais do que a abertura de uma unidade industrial de pequena dimensão. O projecto surge como um exemplo de como iniciativas de carácter ambiental podem simultaneamente gerar emprego, promover a formação profissional e contribuir para objectivos de desenvolvimento sustentável, numa altura em que Angola procura diversificar a sua economia e reforçar o compromisso com a transição energética.
Resultado de uma parceria entre a ENI Natural Energies, os Salesianos de Dom Bosco e a organização Médicos com África CUAMM, a nova unidade industrial possui capacidade para produzir cerca de 500 fogareiros por dia, o equivalente a aproximadamente 14 mil unidades por mês. Embora estes números possam parecer modestos quando comparados com grandes projectos industriais, ganham relevância quando enquadrados no mercado nacional e nos objectivos sociais e ambientais que sustentam a iniciativa.
A dimensão social do projecto é igualmente significativa. Segundo os promotores, a iniciativa já permitiu criar mais de 260 postos de trabalho nas áreas de produção, distribuição e logística. Destaca-se ainda o facto de a fábrica empregar directamente 70 jovens formados pelo Centro Dom Bosco, repartidos de forma equilibrada entre homens e mulheres, demonstrando o potencial da formação técnico-profissional como instrumento de inclusão económica e social.
A produção é integralmente nacional, reforçando a incorporação local e criando competências que podem ser replicadas noutras actividades industriais. O projecto integra o programa Eni for Clean Cooking, uma iniciativa de compensação de carbono que, desde 2024, já beneficiou cerca de um milhão de pessoas em Angola e que pretende alargar significativamente esse número até 2030.
O objectivo passa por substituir gradualmente os métodos tradicionais de confecção de alimentos, baseados sobretudo na utilização de lenha e carvão vegetal, por soluções mais eficientes e menos poluentes. As vantagens económicas e ambientais destes equipamentos são amplamente reconhecidas. Os fogareiros melhorados permitem reduzir o consumo de combustível, aumentar a eficiência energética e diminuir os custos associados à preparação dos alimentos. E
m paralelo, reduzem a emissão de fumos nocivos dentro das habitações, contribuindo para a redução das doenças respiratórias, uma das principais consequências da utilização de sistemas tradicionais de cozinha em muitas comunidades africanas. Existe também uma componente ambiental relevante.
Ao diminuir a procura por lenha e carvão vegetal, estes equipamentos ajudam a reduzir a pressão sobre os recursos florestais, contribuindo para combater a desflorestação e as emissões de gases com efeito de estufa. Esta vertente assume particular importância num contexto internacional em que os mercados valorizam cada vez mais projectos ligados à redução da pegada carbónica e ao financiamento climático.
Do ponto de vista estratégico, a iniciativa demonstra igualmente uma tendência crescente entre as grandes empresas energéticas internacionais, que procuram complementar os investimentos tradicionais em petróleo e gás com programas de sustentabilidade ambiental e inclusão social. Para a ENI, a aposta nos fogareiros melhorados permite associar a sua actividade a objectivos de desenvolvimento comunitário e de redução de emissões, alinhando-se com as exigências cada vez maiores dos investidores e orga nismos internacional.











