Depósitos a prazo fazem angolanos perder dinheiro há mais de uma década
Enquanto a inflação corrói silenciosamente o valor das poupanças, diminuindo o seu poder de compra, algumas famílias continuam a confiar mais na informalidade onde persistem práticas como a kixikila. Num sistema onde poupar rende pouco e pedir crédito custa caro, o aforrador perde duas vezes: quando deposita e quando precisa de financiar os seus projectos.
Os angolanos têm vindo a perder dinheiro nos bancos sem que muitos se apercebam. Há pelo menos uma década que os depósitos a prazo a mais de um ano são remunerados pelos bancos abaixo da inflação, fazendo com que milhões de kwanzas depositados por famílias e empresas percam valor real ano após ano, constatou o Expansão.
As estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA) mostram que a taxa média a que os bancos remuneram os depósitos a prazo se tem mantido abaixo da taxa de inflação, sendo que os juros recebidos desde 2016 têm sido insuficientes para acompanhar a subida generalizada dos preços, criando uma "perda silenciosa" que faz com que, apesar do saldo crescer no extrato bancário, o valor real das poupanças diminua. Na prática, isso significa que o rendimento obtido não compensa a perda de valor da moeda causada pela inflação.
Só para se ter uma ideia, em 2025, famílias e empresas tinham aplicados cerca de 7,9 bi liões Kz em depósitos a prazo, um aumento de aproximadamente 8% face aos 7,3 biliões registados no final de 2024, mais 565,7 mil milhões Kz colocados neste tipo de aplicação financeira. Apesar desse crescimento, a remuneração oferecida pelos bancos manteve-se relativamente modesta. Os depósitos com maturidade superior a um ano renderam, em média, 9,9%, enquanto os depósitos com prazo de até um ano pagaram cerca de 9,2%.
No mesmo período, a inflação homóloga encerrou o ano nos 15,7%, resultando numa diferença negativa de 5,8 pontos percentuais para os aforradores. Em 2024, a situação foi ainda mais desfavorável. Embora os bancos tenham praticado algumas das taxas de remuneração mais elevadas dos últimos dez anos, os depósitos continuaram a render muito abaixo da inflação.
A diferença entre a taxa média paga aos depositantes e a subida dos preços atingiu 12,1 pontos percentuais, traduzindo-se numa perda significativa do poder de compra das poupanças. Entretanto, o ano mais penalizador para os aforradores foi em 2016. Nessa altura, a inflação disparou para 41,1%, enquanto os depósitos a prazo eram remunerados em apenas 4,8%. Em termos reais, os aforradores perderam mais de um terço do valor das suas economias num único ano, representando o maior diferencial negativo entre juros ...











