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Produtores nacionais consideram ilegal importação de 20 mil ton. de sal

CARGA TERÁ VINDO DO EGIPTO

Importação equivale a 14% da produção nacional e a cerca de um terço do consumo anual das famílias angolanas. Cada tonelada de sal produzida em Angola vale 95 mil Kz. Associação do sector diz que há 50 mil toneladas em stock. Contas feitas, estamos a falar de 4.750 milhões Kz "parados".

A recente importação de 20 mil toneladas de sal, denunciada nas redes sociais durante a semana passada, deixou em alerta a Associação dos Produtores e Transportadores de Sal de Angola (APROSAL) que garante ter 50 mil toneladas disponíveis em stock. A organização denuncia também o incumprimento das regras previstas para a importação de sal, sobretudo devido à falta de iodização, realidade que põe em causa a saúde pública. "Este sal foi transportado em porão, está a ser retirado do porto em camiões basculantes de caixa aberta e não se sabe para onde está a ser levado", conta Totas Garrido, presidente da APROSAL, ao Expansão.

A legislação em vigor estabelece que o sal não iodizado é disponibilizado apenas para a salga e secagem de peixe e outros trabalhos específicos. Dados oficiais do Ministério da Agricultura e Pescas citados pela revista Economia & Mercado revelam que, em 2020, o país consumiu 129.845 toneladas de sal, das quais 103.876 toneladas foram produzidas internamente e 25.969 foram importadas (no valor de 6 milhões USD). Os dados relativos a 2021 ainda não são conhecidos.

O sal é um dos produtos incluídos na cesta básica e por isso está isento de taxas na importação, enquanto o IVA, durante 2022, baixou de 14% para 7%. "Por outro lado", acrescenta Totas Garrido, "também nos parece que esta importação de 20 mil toneladas - estou há mais de 10 anos nesta actividade e nunca vi uma quantidade de sal desta dimensão - não cumpre as regras sobre o embalamento".

O líder associativo refere-se especificamente à proibição, decretada pelo Ministério das Pescas em 2019, de importação de sal fino ou de mesa iodado para consumo humano em embalagens superiores a 250 gramas. "Confirmamos que é um sal bruto, vindo do Egipto, que está a ser transportado em camiões. Não sabemos que tipo de carga estas viaturas transportaram antes e se foram devidamente higienizadas. Não podemos vender sal nestas condições e temos de proteger o nosso negócio", defende Totas Garrido, que supõe que o produto importado "está a ser encaminhado para uma fábrica de embalamento".

O responsável confirma também ao Expansão as 50 mil toneladas disponíveis em stock no País, o equivalente a 10 meses de consumo humano (que ronda as 60 mil toneladas anuais). Neste momento, o sector emprega cerca de 2.000 trabalhadores e estão em fase de implementação mais três novas explorações na província de Benguela. Relativamente ao consumo agro-industrial, Totas Garrido prefere não avançar dados concretos antes da conclusão do censo agro-pecuário e pescas, que arrancou em 2010.

(Leia o artigo integral na edição 667 do Expansão, de sexta-feira, dia 25 de Março de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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