Taxa de inflação mensal nos grossistas cresce para o dobro do mês anterior
O índice grossista volta a acelerar para 0,76% e a interromper a trajectória de queda há vários meses. Impulsionado sobretudo pelo encarecimento dos produtos importados - responsáveis por quase 2/3 da subida - a evolução dos preços no grossista antecipa novas pressões sobre o consumidor final.
Depois de vários meses a dar sinais de abrandamento, a inflação no grossista voltou a ganhar fôlego em Fevereiro, interrompendo uma trajectória descendente que se vinha a consolidar desde meados de 2025. Os dados mais recentes mostram uma inversão clara de tendência e deixam um aviso implícito: a pressão sobre os preços ao consumidor final poderá estar longe de desaparecer.
O Índice de Preços Grossista (IPG) registou uma variação mensal de 0,76% em Fevereiro, o dobro dos 0,38% de Janeiro, evidenciando uma aceleração relevante em cadeia mensal . Este movimento acontece num contexto em que a variação homóloga continua a desacelerar - situando-se em 9,89% - mas já não esconde sinais de pressão renovada no curto prazo, com impacto potencial na inflação final sentida pelas famílias.
A leitura é relativamente directa: o grossista funciona como um primeiro ponto de transmissão de custos na economia. Quando os preços sobem neste nível, sobretudo de forma consistente, o mais provável é que essa pressão seja, com algum desfasamento, transferida para o consumidor final. Mas mais relevante do que a variação global é a sua composição. Importados lideram subida.
Os dados mostram que foram os produtos importados os principais responsáveis pela aceleração da inflação, contribuindo com 63% da variação total (0,48 pontos percentuais), contra 37% dos produtos nacionais .
Esta repartição confirma uma tendência estrutural da economia angolana: a elevada dependência do exterior continua a ser o principal canal de transmissão inflacionista. Entre os produtos importados com maiores aumentos destacam-se bens industriais e intermédios, com impactos potencialmente mais amplos na cadeia produtiva. É o caso dos pneus de viaturas ligeiras (+18,67%), canetas esferográficas (+16,87%), alimentação para aves (+16,64%), máquinas de soldadura (+16,54%) e juntas de tubos PVC (+15,94%) .
Além disso, na contribuição efectiva para a inflação, surgem produtos como tubos de ferro, chapas metálicas e telefones celulares, indicando que não se trata apenas de bens de consumo final, mas também de factores de produção e equipamentos . Ou seja, o impacto não termina no comércio, propaga-se à indústria, à construção e aos serviços. Este padrão sugere que parte da pressão poderá estar associada a factores cambiais, custos logísticos e restrições na oferta externa - variáveis que continuam fora do controlo directo da política económica interna.
Produção nacional também pressiona
Do lado dos produtos nacionais, a subida foi ligeiramente inferior (0,74%), mas ainda assim significativa, com destaque para o sector agro-pecuário, que registou os maiores aumentos . Entre os produtos com maior variação destacam-se bens alimentares e de consumo corrente: abacate (+4,08%), gado bovino (+3,38%), limão (+3,14%), ananás (+3,10%), ginguba (+3,08%) e vários tipos de peixe acima dos 2,5% . Também produtos industrializados locais, como fraldas descartáveis, lixívia e vinho tinto, registaram aumentos superiores a 3%.











