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Shoprite vende mais Red Bull em Angola do que na África do Sul

Bebidas

Cinco lojas nacionais venderam, no ano passado, mais latas da bebida energética do que a cadeia de 382 lojas no seu país de origem.

O presidente executivo da cadeia sul-africana Shoprite, Whitey Basson, fez uma revelação surpreendente quando a empresa apresentou as suas contas de 2013: as cinco lojas Shoprite de Angola venderam mais latas da bebida energética Red Bull do que todas as 382 que existem na África do Sul. E acrescentou: as mesmas cinco lojas em território angolano venderam também mais garrafas de espumante JC Le Roux que toda a cadeia sul-africana.

Segundo o jornal sul-africano Business Times, Whitey Basson deu estes dois exemplos para explicar a nova estratégia da Shoprite para os próximos anos - apostar em mercados africanos onde a economia esteja a produzir riqueza muito acima da África do Sul e em que os consumidores tenham um grande potencial de crescimento.

Não é por acaso que a Shoprite quer abrir este ano 44 lojas fora da África do Sul, tendo como alvo os países ricos em recursos naturais, como Angola, Nigéria e Zâmbia. Contudo, o CEO disse que nem tudo vai de vento em popa nesses países, queixando-se de leis difíceis e burocráticas, e falta de infra-estruturas na cadeia de distribuição, o que torna o negócio complicado.

Já este ano, a Shoprite deu um tiro no escuro na Tanzânia e foi obrigada a sair do mercado, porque não conseguiu atingir a dimensão mínima, perdendo a guerra para o mercado informal. Graças ao crescimento dos negócios fora da África do Sul, as vendas semestrais da Shoprite atingiram, pela primeira vez, 50 mil milhões de rands (455 mil milhões Kz), embora tenha sido o crescimento mais lento da cadeia nos últimos oito anos.

Apesar disso, a Shoprite pretende abrir 101 novas lojas na África do Sul este ano, exactamente com a intenção de continuar a ser a maior cadeia de África. A verdade é que Whitey Basson reconhece que cada vez é mais difícil encontrar locais privilegiados num mercado mais competitivo. "Não vamos continuar em mercados que não são rentáveis", disse, salientando que foi uma corrida contra o tempo para garantir as lojas certas nos lugares certos.

"O custo de vida na África do Sul aumentou e atingiu os consumidores com menos recursos", afirmou Whitey Basson, acrescentando, no entanto, que "é preciso investir agora na expansão e novas lojas para estarmos preparados para uma melhoria do ambiente económico".

No semestre passado, o lucro da Shoprite aumentou 7,4%, para 1,8 mil milhões de rands (16,3 mil milhões Kz), sendo que as vendas nos restantes 15 países africanos aumentaram 15%, excluindo oscilações cambiais.

António José Gouveia

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