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BPC sai do vermelho e fecha 2023 com lucros de 105,8 mil milhões Kz

APÓS 7 ANOS DE PREJUÍZOS

A contas com um plano de reestruturação que terminou no final do ano passado, o BPC registou 1,2 biliões Kz de prejuízos acumulados desde 2016. O banco passou por um processo de modernização e de downsize que terminou com mais de 1.500 empregos. Quase 500 devido a esquemas e fraudes.

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) registou um resultado líquido positivo de 105,8 mil milhões Kz em 2023, após vários anos com contas no "vermelho", de acordo com o balancete do IV trimestre do ano passado. Os resultados de 2023 comparam com os de 2022, em que o maior banco público registou prejuízos de 120,4 mil milhões Kz.

Numa altura em que ainda não está disponível o relatório e contas de 2023, os valores agora avançados constam no balancete do IV trimestre de 2023, que é um mero exercício de balanço, sem detalhe, que não revela o que está na base desse regresso aos lucros.

Só que o Expansão sabe que na base deste regresso aos lucros está o facto de o banco ter concluído em 2022 a inscrição de imparidades relativas nos balanços relativo ao crédito malparado avaliado em cerca de 1 bilião Kz (que o banco diferiu em três exercícios financeiros desde 2019), mas também as margens obtidas sobretudo com os juros do crédito (como o dos adiantamentos de salários), que dentro da instituição é considerado crédito de "muito boa qualidade". Acresce a isto as comissões alcançadas com o investimento no aumento da circulação de TPAs e do número de ATMs da instituição bancária, bem como os ganhos com a posição cambial.

Com este resultado, o banco público passa assim a fazer parte do top 3 dos maiores lucros da banca, ao lado do BAI e BFA, na primeira e segunda posição, respectivamente, deixando para trás o Standad Bank Angola.

A contas com um plano de recapitalização e reestruturação (PRR) que terminou no final do ano passado, quando estiver recapitalizado terá custado cerca de 1,5 biliões Kz aos contribuintes. O programa de reestruturação do BPC apontava o regresso aos lucros em 2021 na ordem dos 131,7 mil milhões Kz, mas registou prejuízos de 83,1 mil milhões Kz, e previa também um resultado líquido positivo de 166,9 mil milhões Kz em 2022, que diverge com os prejuízos de 120,5 mil milhões Kz realmente alcançados. Para 2023, o programa esperava lucros na ordem dos 177,9 mil milhões Kz, acima dos 105, mil milhões alcançados efectivamente.

Entretanto, o Expansão sabe que o BPC só vai pronunciar-se sobre o programa de reestruração após a Assembleia Geral.

Assim, actualmente, o banco presidido por Cláudio Pinheiro (PCA) tem um activo avaliado em quase 2,0 biliões Kz, registando um crescimento de 2% no ano passado face a 2022, o que o coloca no quinto lugar do ranking dos bancos com mais activos.

Os títulos e valores mobiliários valem 898,3 mil milhões KZ e representam cerca de 45% dos activos, quando em 2019 altura em que se começou a dar os primeiros passos para reestruração do banco, valia a metade do valor (454,1 mil milhões Kz).

Já o stock de crédito que representa 18% do activo mais do que duplicou, passando de 180,1 mil milhões em 2022 para 364,2 mil milhões no ano passado, o que o coloca no quinto lugar dos bancos com mais crédito, ainda assim, longe da primeira posição que chegou a ocupar até que o malparado começou a perturbar as contas daquele que também já foi o maior banco angolano.

Relativamente aos depósitos, estão avaliados em 1,2 biliões Kz, menos 27 milhões, quando comparado com os depósitos registados em 2022, o que o situa na sexta posição do ranking.

Leia o artigo integral na edição 765 do Expansão, de sexta-feira, dia 01 de Março de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)