*"O despachante é o advogado dos importadores e exportadores"*
Como novo presidente da Câmara dos Despachantes, Leitão António defende mais profissionalismo dos associados e melhor eficiência da instituição, que nos últimos anos esteve ligada a várias polémicas. Na veste de empresário, sustenta a necessidade de mais apoios e colaboração das instituições para que as empresas não morram e contribuam para o crescimento da economia e desenvolvimento do País.
Na conjuntura económica que o mundo está a viver, com guerras e condicionalismos de transportes de mercadorias, como perspectiva a actividade do despachante oficial nos próximos tempos?
Passamos sempre uma mensagem ao despachante de que não pode estar limitado e depender só da actividade de despachante oficial. Não depender só do processo de desalfandegamento de mercadorias. É preciso olharmos também para o empreendedorismo. Criar negócios. Porque com esta situação que está ocorrendo nesse momento no mundo, há poucas importações e isso afecta o volume de trabalho do despachante, e a possibilidade de ter um capital ou uma receita também vai baixar.
Os despachantes têm conseguido criar negócios ou empreender?
Pretendemos capacitar os nossos associados, não só em matérias da nossa área de actuação, mas também em matérias de empreendedorismo, para poderem ser empreendedores e criar outros negócios. E assim manterem-se no mercado e sustentarem as suas famílias. Muitos despachantes não vivem só deste serviço. Há despachantes que têm outras empresas, outros serviços na base de investimentos que fizeram ou fazem.
Como está a relação com instituições como portos, AGT e outras que intervêm nos processos de desalfandegamento?
Boa a 100%, diria que não. Por que a actividade do despachante envolve muitas instituições. O que acontece é que cada instituição tem a sua forma de organização. A AGT tem a sua, os portos têm as suas e as outras também. Mas temos poucas queixas.
E a questão da sobreestadia de que os importadores se queixam?
Às vezes acontece. São custos adicionais por culpa, às vezes, de várias instituições. A demora no tratamento de certos processos faz com que o importador pague no processo de desalfandegamento. Mas não esquecemos que somos todos, em última instância, consumidores. Quando o importador assume um custo muito elevado, tudo isso depois recai no consumidor final, que paga o produto mais caro.
Como se resolve esta questão?
Primeiro, é preciso disciplinar os importadores, porque o Estado criou uma política de que os terminais não são dos importadores. Isso faz com que quando a mercadoria fica mais tempo no terminal, o custo torna-se mais alto. Por isso, os importadores devem se organizar muito bem, porque mandar vir mercadoria, sem ter a documentação, atrasa a tramitação de desalfandegamento, e faz com que se pague mais pelo tempo que a mercadoria fica no terminal.
É prática regular mercadoria chegar ao País sem documentação?
Muitos importadores, às vezes, recebem a mercadoria a crédito. E o que acontece é que o fornecedor envia a mercadoria, mas enquanto ela não for paga, a documentação final não é enviada. E muitas vezes esta mercadoria já está no porto, já começa a ter sobreestadia. É uma situação que tem que ser disciplinada, para os importadores evitarem receber mercadoria a crédito.
A questão poderá não estar na compra da mercadoria a crédito, até porque é uma prática de mercado. Mas na falta de divisa dos bancos...
Os nossos bancos também não são fáceis. Às vezes não têm divisas suficientes para pagar mercadorias importadas. Todas essas situações acarretam um aumento dos custos dessas mercadorias. Depois, repito mais uma vez, quem paga somos todos nós, porque todos somos consumidores finais. E ficamos a reclamar que isso está muito caro. São situações que têm que ser levantadas. Penso que as instituições que estão ligadas à cadeia do comércio internacional devem sentar e encontrar sempre o melhor mecanismo para facilitar o processo.











