Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Mundo

Eleições nos EUA são pior risco num ano marcado por guerras

PAÍS MAIS PODEROSO DO MUNDO ENFRENTA DESAFIOS CRÍTICOS NAS PRINCIPAIS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS, DIZ EURASIA

A luta pelos minerais críticos que põe muitos países africanos no centro da cobiça é o sétimo maior risco este ano, segundo a consultora Eurasia. Em oitavo, vem o choque inflacionário, que começou em 2021 e "continuará a exercer um poderoso peso económico e político em 2024", não deixando margem para erros.

2024 vai ser um "annus horribilis" para a consultora Eurasia, com sede em Nova Iorque, de acordo com um relatório divulgado segunda-feira, dia 8, onde apresenta as eleições presidenciais nos EUA como o primeiro dos 10 riscos que o mundo enfrenta, num ano marcado por três grandes guerras. As eleições são decididas por 160 milhões de habitantes, mas os seus resultados afectarão o destino de 8 mil milhões de pessoas, frisa.

"O país mais poderoso do mundo enfrenta desafios críticos nas suas principais instituições políticas: eleições livres e justas, a transferência pacífica de poder e os pesos e contrapesos proporcionados pela separação de poderes. A situação política da União... é realmente problemática", resume a Eurasia, na síntese do relatório, assinada por Ian Bremmer, fundador da Eurasia Group, e Cliff Kupchan, presidente da consultora.

Como pontos positivos, o relatório destaca a previsão de eleições pacíficas na Índia, União Europeia, Indonésia e México e o enfraquecimento do conflito entre os EUA e a China, que acabam por ser "os adultos na sala este ano", já que no meio de tantos combates "as duas maiores economias não procuram razões para iniciar outro conflito, apesar da falta de confiança e dos sistemas políticos e económicos mutuamente desalinhados".

As tensões entre os EUA e a China nem sequer figuram no top 10 dos principais riscos do ano, que é liderado pelas eleições nos EUA, seguida pela guerra no Médio Oriente e a guerra na Ucrânia, país que vai ser dividido "em vermelho e azul", um "resultado inaceitável" para a Ucrânia e para o Ocidente que, no entanto, "se tornará realidade", segundo a consultora norte-americana. O quarto risco são os avanços "desgovernados" da Inteligência Artificial (IA), seguido do alinhamento Rússia, Irão e Coreia do Norte, num eixo perigoso, e a não recuperação económica da China.

Em sétimo, surge a luta pelos minerais críticos, que põe muitos países africanos no centro da cobiça, como a República Democrática do Congo, Zâmbia, bem como países com depósitos minerais subdesenvolvidos na África Subsariana, no Sul da Ásia e no Médio Oriente. Muitos destes países, entre os quais se incluem a Austrália, Canadá e o Chile, "começaram e continuarão a impor medidas de exportação de minérios brutos que criam ineficiências de mercado, aumentam a volatilidade dos preços e correm o risco de minar o investimento e a produção privados", justifica a Eurasia.

Em oitavo, o choque inflacionário, que começou em 2021 e "continuará a exercer um poderoso peso económico e político em 2024". Em nono está o regresso do El Nino, que "trará eventos climáticos extremos que causarão insegurança alimentar, aumentarão o stress hídrico, perturbarão a logística, espalharão doenças e alimentarão a migração e a instabilidade política". Em décimo, a Eurasia elenca os negócios arriscados, explicando que as empresas apanhadas no fogo cruzado das guerras culturais dos EUA verão a sua autonomia na tomada de decisões limitada e os seus custos de fazer negócios aumentarão.

Falta de lideranças capazes

Três guerras vão dominar o mundo em 2024, segundo a Eurasia. A guerra Rússia vs Ucrânia "está a piorar", com a Ucrânia a correr o risco de "perder o interesse e apoio internacional". A guerra Israel vs Hamas, que está no terceiro mês e enfrenta a ausência de uma fórmula óbvia de pôr fim aos combates, com o "aumento dramático da radicalização" a ser a única garantia que existe. Por fim, a guerra dos "EUA contra eles próprios", com umas "eleições disfuncionais e sem precedentes" a pôr em causa a "segurança, estabilidade e as perspectivas económicas do mundo", como descreve o relatório da Eurasia, que não esconde o pessimismo por falta de lideranças políticas capazes.

"Nenhum destes três conflitos tem barreiras de protecção adequadas que os impeçam de piorar. Nenhuma deles tem líderes responsáveis dispostos e capazes de consertar, ou pelo menos limpar, a confusão". Na verdade, "estes líderes vêem os seus oponentes como os principais adversários", estando "dispostos a utilizar medidas extra-legais para garantir a vitória".

Leia o artigo integral na edição 758 do Expansão, de sexta-feira, dia 12 de Janeiro de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)