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Preços do petróleo de novo acima dos 80 dólares

Pequim participa da acção coordenada por Washington

Os Estados Unidos anunciaram a libertação de 50 milhões de barris de petróleo numa altura em que os preços do petróleo são tidos como uma ameaça à recuperação económica global. China, Índia, Japão e outros grandes consumidores estão alinhados com a estratégia de Washington

O presidente norte-americano anunciou a libertação de 50 milhões de barris de petróleo - cerca de 2,5 dias do consumo de petróleo dos EUA - "nos próximos meses", numa acção coordenada com China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

"Estamos hoje a iniciar um grande esforço para moderar o preço do petróleo - um esforço global - que acabará por chegar ao posto de gasolina da esquina, se Deus quiser", disse Joe Biden aos jornalistas quando anunciou a medida.

Paradoxalmente, ou não, o efeito desse esforço foi um pouco ao contrário, no que também pode ser chamado do "tiro saiu pela culatra", porque o preço do petróleo nos mercados voltou acima dos 80 dólares o barril.

O 'brent', a referência do mercado internacional de petróleo, fechou 3,3% mais alto, a 82,31 dólares o barril, nesta terça-feira.

Nas negociações da Ásia desta quarta-feira, o 'brent' mantém-se relativamente no mesmo valor, 82,34 dólares o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu 0,2%, para 78,71 dólares.

Os analistas concordam que a acção coordenada por Washington pode levar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), na sua configuração OPEP+ que inclui a Rússia, a tomar medidas que possam contrariar os efeitos pretendidos pelos grandes consumidores.

Por agora, os sauditas, que lideram a organização, tem-se mostrado irredutíveis, alegam com erros do passado e com a incerteza do futuro para manterem o plano delineado há meses de um aumento gradual da produção de 400 mil barris dia a cada mês até ao final do ano.

Um analista da CMC Markets, Michael Hewson, considerou que este plano "talvez tivesse tido mais impacto" se os Estados Unidos tivessem esperado pela próxima reunião da OPEP+ do início de Dezembro.

No entanto, e como salientou um outro analista, o director dos mercados de petróleo da Rystad Energy, Bjornar Tnohaugen, esta libertação de reservas é de "uma escala sem precedentes" na "história recente do mercado do petróleo" e é a primeira vez na história recente que Pequim participa de tal esforço. "A pergunta de um milhão de dólares é como é que a OPEP + pode responder a esse movimento", acrescentou Bjornar Tonhaugen. "Se o movimento for visto como agressivo, o grupo poderia, em teoria, cortar o fornecimento em Janeiro para manter os lucros", prevê.

A última vez que se tinha assistido a algo semelhante foi durante a guerra da Líbia, em 2011, quando os países da Agência Internacional de Energia (AIE) libertaram de forma coordenada reservas, sendo que naquela altura a China não o fez, e essa é a grande diferença, a China integra este plano coordenado pelos Estados Unidos.

Na China, o alinhar da posição de Pequim com Washington tem uma leitura que vai além do petróleo, de que pode ser um incentivo para que os Estados Unidos que "devem ponderar seriamente uma forma de se darem bem com a China", pode ler-se num jornal chinês citado pelo Financial Times.

Acompanhando os 50 milhões de barris de petróleo dos Estados Unidos, o Reino Unido vai libertar 1,5 milhão de barris e a Índia 5 milhões de barris. Ainda não foram confirmados os números de barris a libertar pelos outros países.