Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Opinião

Porque é que a política económica não funciona em Angola?

Visto do CEIC

Logo após o fim da guerra civil em 2002, e até ao ano de 2008, Angola figurou no grupo de países com o maior crescimento económico no mundo. As contas nacionais apresentam uma taxa de crescimento médio deste período de 10,95%, tendo o ano de 2005 registado a taxa mais alta, 15%. O CEIC apelidou a este período a "mini-idade de ouro" do crescimento económico. Desde então, nunca mais o crescimento atingiu a cifra dos dois dígitos.

Claramente podemos ver três fases, períodos ou ciclos de crescimento económico distintos:

I. 2003-2008 Período de franco crescimento com a taxa média de 11%

II. 2009-2015 Fase de fraco crescimento económico com uma taxa média de 4%

III. 2016-2019 Ciclo de recessão económica profunda e severa, com uma taxa média de -1,2%

É verdade que todas as economias passam por ciclos económicos, mas o ciclo da economia angolana é bizarro, pois ao invés de subir e descer, como os demais, em Angola há uma descida sucessiva da dinâmica do ciclo do crescimento económico (2003-2008, 11%; 2009-2015, 4% e 2016-2019,-1,2%), caso para dizer que estamos sempre a descer. Qual será o padrão do novo ciclo nos próximos 4 a 5 anos?

A política económica, que engloba a política orçamental e a monetária, pode ser comparada ao óleo para um motor. O funcionamento do motor não depende apenas do óleo, na verdade, o motor deve estar em boas condições para que o óleo exerça o seu papel, pois se o motor tiver avarias, por mais óleo que se ponha não irá funcionar. A economia angolana é o motor, e nunca esteve em boas condições, pois as avarias nunca foram bem reparadas e nem estão a ser. Por isso, a política económica nunca funcionou plenamente.

Quais são as principais avarias que a economia angolana enfrenta? Vou destacar apenas as principais: ineficiente sistema de registo das pessoas e da propriedade, fraco sistema de educação vocacional, de saúde preventiva e curativa, saneamento básico precário, infraestruturas e sistema logístico deficientes.

Passo a cingir-me apenas a dois graves problemas mencionados que dificultam o bom funcionamento da economia nacional: o registo das pessoas e da propriedade.

Registo das pessoas. As pessoas só participarão efectivamente na economia e gozarão do seu benefício se estiverem registadas. No País há mais de 12 milhões de pessoas sem registo civil e um número incontável sem Bilhete de Identidade (BI). Enquanto todos os cidadãos não estiverem registados e com os devidos BI, não haverá uma livre circulação de pessoas e a economia sofre. (...)


(Leia o artigo integral na edição 564 do Expansão, de sexta-feira, dia 6 de Março de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo