Duas cidades, dois centros, duas políticas, dois resultados | Luanda e Joanesburgo
As diferenças económicas entre Joanesburgo e Luanda residem sobretudo no grau de diversificação sectorial, no custo de vida e na maturidade do mercado financeiro. Enquanto Joanesburgo é um centro multissetorial consolidado, Luanda possui uma economia fortemente dependente da indústria extractiva.
Em 2025, estas duas cidadesdestacaram-se com acontecimentos importantes nas esferas económica e geopolítica do mundo, e especialmente para África. Luanda, enquanto capital de Angola, posiciona o país como uma potência africana emergente com crescente influência diplomática, tendo acolhido as Cimeiras União Europeia-União Africana (UE- -UA) e a 17ª Cimeira Empresarial EUA-África.
Embora Luanda ainda enfrente desafios como a diversificação económica, o desenvolvimento de competências dos jovens, a empregabilidade, a elevada taxa de natalidade e a recuperação de infraestruturas essenciais, continua a fazer grandes progressos na atracção de Investimento Estrangeiro Directo com o objectivo de diversificar a sua economia. Por um lado, os jovens qualificados tendem a emigrar para a Europa, EUA e Canadá, enquanto, por outro lado, vemos um grande fluxo de jovens estrangeiros de outros países africanos e de outros continentes que vêm para Luanda em busca de uma oportunidade para uma vida melhor.
Após ao fim da guerra civil, e até aos dias de hoje, Luanda continua a registar um grande fluxo de jovens provenientes de outras províncias de Angola em busca de oportunidades e crescimento, o que pode também ser caracterizado, de certa forma, como um êxodo rural.
Joanesburgo é o centro económico e financeiro da África do Sul e um pólo crucial para o continente. A cidade destacou-se com a Cimeira do G20 Joanesburgo 2025, realizada entre 23 e 25 de Novembro de 2025, a vigésima edição do encontro de chefes de Estado e de Governo do G20, um grupo constituído pelas 20 maiores economias do mundo.
Apesar da ênfase nestes eventos de 2025, a cidade de Joanesburgo continua a consolidar a sua posição como potência e referência regional e internacional, principalmente nos aspectos económicos, enquanto Luanda, apesar dos desafios macroeconómicos e do rápido crescimento populacional, continua no seu percurso para se tornar uma cidade de referência regional e internacional.
O que distingue Joanesburgo de Luanda é a sua reputação como centro de negócios, tornando-a uma capital empresarial fundamental para as empresas que procuram oportunidades no continente. A sua economia diversificada abrange vários sectores, incluindo: Serviços, com uma forte presença nas finanças, tecnologia, media, imobiliário, saúde privada e retalho. As indústrias pesadas, como a siderurgia e o cimento, e as grandes empresas mineiras, mesmo com o declínio da actividade mineira a cidade continua a ser porta de entrada para este sector.
O Aeroporto Internacional O.R. Tambo é o mais movimentado da África do Sul, lidando com grande parte da carga e dos passageiros, facilitando o acesso ao mercado africano. Como pólo de investimento, atrai grandes empresas internacionais e talentos, tornando-se um ponto estratégico para os negócios em África.
As diferenças económicas entre Joanesburgo e Luanda residem sobretudo no grau de diversificação sectorial, no custo de vida e na maturidade do mercado financeiro.
Enquanto Joanesburgo é um centro multissetorial consolidado, Luanda possui uma economia fortemente dependente da indústria extractiva. Luanda, embora enfrente desafios, como a diversificação económica e a qualificação da sua juventude, terá uma vantagem competitiva sobre Joanesburgo na captação de Investimento Estrangeiro Directo se conseguir formar e qualificar estes jovens. Sendo uma das cidades com maior população jovem de África, possui uma força de trabalho numerosa e abundante, o que já é uma vantagem, mas é urgente formá-la, educá-la e prepará-la para a tornar produtiva.
Luanda possui ainda uma localização geoestratégica e de acesso marítimo: situada na costa atlântica, Luanda possui um porto que a posiciona como um potencial centro logístico e energético para a região da África Austral, principalmente através de corredores de transporte.
Poderio económico regional
O PIB de Joanesburgo para 2025 é estimado em cerca de 276 mil milhões USD, posicionando-a como a cidade mais rica da África, segundo projecções de fontes como Henley & Partners e o Banco de Desenvolvimento Africano e PIB de Angola para 2025, segundo o Trading Economics, está estimado em 87,11 mil milhões USD [nota da redacção: o FMI aponta a 113 mil milhões USD]. Não encontrámos fontes que determinem a percentagem de participação de Luanda no PIB total de Angola para 2025, o que impossibilita a determinação do seu contributo para este valor nacional total. No entanto, é evidente que Joanesburgo é mais rica do que Luanda, embora Luanda tenha uma população de 8.816.297 habitantes (dados do Instituto Nacional de Estatística - INE), segundo o Censos de 2024, e a população estimada para a área metropolitana de Joanesburgo em 2024 seja de aproximadamente 6,13 milhões de habitantes, segundo a S&P Market Intelligence. Baseado em dados da 19ª edição anual do Demographia World Urban Areas (Abril de 2023).
Com base na informação acima, podemos ver claramente que Joanesburgo é mais desenvolvida e rica do que Luanda e, por isso, tem melhores condições para atrair investimento directo estrangeiro, dado que, tal como os profissionais competem por empregos, também os países e as cidades competem entre si para atrair melhores investidores estrangeiros e pessoal mais qualificado para ajudar as suas economias a crescer.
Espero que, no próximo ano de 2026, estas duas cidades partilhem mais relações comerciais e de intercâmbio, dado que ambas pertencem à SADC e o seu crescimento sustentável fortalece a nossa região.
Os países engajam-se no comércio internacional por dois motivos básicos, e cada um deles contribui para os ganhos de comércio. Primeiro, os países fazem comércio porque são diferentes uns dos outros. As nações, como os indivíduos, podem beneficiar das suas diferenças, por chegar a um acordo em que cada um faz as coisas que fazem relativamente bem.
Segundo, para obter economias de escala na produção. Ou seja, se cada país produz apenas uma gama limitada de bens, pode produzir cada um desses bens em maior escala e, portanto, mais eficientemente do que se tentasse produzir tudo. No mundo real, os padrões de comércio internacional reflectem a interacção desses dois motivos.
Pedro Cajama, Economista













