Acreditar para fazer acontecer o valor da confiança nas equipas
Ao traçar os planos para 2026, que cada organização se pergunte: "Como posso fortalecer a confiança interna para que a minha equipa cresça não apenas em produtividade, mas em coragem, compromisso e capacidade de enfrentar desafios?" Porque desacreditar pode limitar, mas acreditar pode transformar.
Ao iniciar um novo ano, profissionais e organizações voltam inevitavelmente o olhar para metas e planos. Mas, no universo corporativo actual, onde a competitividade é alta e a exigência por resultados é constante, é fundamental reconhecer que os objectivos só ganham vida quando as pessoas que os concretizam se sentem vistas, valorizadas e, sobretudo, acreditadas.
A confiança, antes de ser um sentimento, deve tornar se uma estratégia deliberada nas relações de trabalho, capaz de impulsionar desempenho e promover crescimento sustentável. É comum olharmos para indicadores, KPIs e métricas como guias principais da performance. Mas, tal como acontece nas relações pessoais, existe um tipo de "medida" que não aparece nas tabelas e, ainda assim, influencia profundamente os resultados: a expectativa positiva que uma pessoa tem sobre outra.
Quando um director acredita que um colaborador tem capacidade de liderar um projecto desafiante, não importa apenas o que o colaborador pode entregar imediatamente, importa que ele sinta essa confiança como impulso para dar o seu melhor. Este motivo organizacional remete-nos para uma reflexão antiga, mas extremamente actual: quando um colega ou líder deixa de acreditar no potencial de outro, cria-se um ambiente silencioso de limitação. Um colaborador desmotivado pode continuar a cumprir tarefas, mas dificilmente alcançará crescimento exponencial se a sua própria equipa não o desafiar com confiança.
Da mesma forma, um líder que subestima capacidades, mesmo por hábito cultural ou medo de delegar, está a limitar a evolução dessa equipa. Em contrapartida, líderes que olham para a sua equipa com uma expectativa positiva, acreditando no potencial de cada um, constroem ambientes mais resilientes, criativos e inovadores.
Em muitos ambientes empresariais, o feedback e a liderança ainda se baseiam na crítica ríspida, no apontar de falhas e na ênfase em indicadores convencionais. Este enfoque pode gerar efeitos imediatos em termos de conformidade, mas mina o envolvimento, limita a criatividade e cria um clima de insegurança.
Ao contrário, quando uma equipa é liderada por quem acredita no potencial individual dos seus membros, mesmo em face de dificuldades, nasce um ambiente fértil para o desenvolvimento. Confiança estratégica significa olhar para além do presente imediato e apostar no futuro de cada colaborador com real intenção de crescimento.
O mercado angolano precisa viver em expansão e transformação, onde diferentes sectores estão a reinventar modelos de negócio, inovar e responder a desafios locais e globais, este tema ganha ainda maior relevância.
Empresas que privilegiam a confiança e a colaboração fortalecem a sua cultura interna, conseguem reter talentos e geram resultados mais consistentes ao longo do tempo. Quando líderes acreditam no potencial das suas equipas, emanam segurança e inspiração. Equipas que se sentem apoiadas tendem a assumir riscos calculados, a abraçar mudanças e a experimentar soluções criativas.
Por outro lado, a ausência de confiança traz efeitos negativos profundos. Equipas onde a critica acontece sem orientação, ou onde os erros são punidos mais do que analisados como oportunidade de aprendizagem, tendem a gerar medo, retrabalho e rotatividade.
A inovação é sufocada, porque ninguém quer expor ideias em ambientes onde a confiança não existe. E quando isso acontece, a organização compromete a sua adaptabilidade, um factor crucial num mercado em mudança permanente.
As decisões estratégicas tomadas em 2026 devem ser acompanhadas de um entendimento claro: sem confiança, nada acontece de forma consistente. Não basta definir objectivos ambiciosos; é preciso construir ambientes onde as pessoas sintam que têm espaço para crescer, aprender e recomeçar. Confiança estratégica não deve ser confundida com permissividade. É, antes, a habilidade de equilibrar exigência com apoio, desafio com reconhecimento, e rigor com humanidade.
Assim, o convite para este novo ano é uma reflexão para líderes, gestores e colaboradores: como podemos fortalecer a confiança dentro das nossas equipas? Como podemos transformar cada feedback, cada reunião, cada projecto num acto de crescimento relacional e profissional? Como podemos, no nosso dia a dia, viver a confiança como valor fundamental que impulsiona a performance?
A resposta talvez esteja em pequenas decisões de cada dia: ouvir sem interromper, reconhecer esforços reais, criar espaços seguros para expressar ideias, valorizar o trabalho colectivo e comunicar com transparência nos altos e baixos. É assim que se constrói uma cultura de confiança que dura e que verdadeiramente transforma.
Para o mercado corporativo angolano, a confiança não é apenas uma prática desejável, é uma vantagem competitiva. Empresas que a cultuam estão mais bem posicionadas para enfrentar desafios económicos, atrair talentos, incentivar inovação e construir reputação sólida. Cultivar confiança é, portanto, um investimento estratégico para um futuro sustentado.
A construção de confiança, é um processo que exige intenção, repetição e consistência. Ele começa com atitudes simples, mas impactantes: comunicar de forma transparente, ouvir activamente, reconhecer esforços mesmo antes de celebrar os resultados, e oferecer feedback que constrói e não destrói. A confiança é um activo relacional que se mede nas pequenas interacções diárias, não apenas nas grandes decisões estratégicas. Quando um colega ou superior demonstra confiança em ti, isso actua como um estímulo intrínseco que mobiliza motivação e resiliência.
É preciso também enfatizar que acreditar não é sinónimo de ingenuidade. Ao contrário: trata-se de assumir responsabilidade com perspectiva. Um líder que acredita nas suas equipas não ignora riscos ou problemas; ele enfrenta-os com coragem, em conjunto com os seus colaboradores. Este tipo de liderança cria um efeito de cadeia: cada membro passa a confiar em si mesmo e a confiar no outro, aumentando a coesão e a capacidade de resposta da organização.
Neste novo ano, não olhes apenas para o que precisas de alcançar enquanto números ou marcos de performance. Olha também para "quem" te acompanha nessa jornada, e como o apoio, a crença e a confiança mútua podem fazer toda a diferença. Porque, no fim, acreditar não é apenas acreditar no outro, mas fazer com que o outro acredite em si mesmo. Não basta dizer que se valoriza pessoas, é preciso demonstrar em actos e expectativas. Não se trata de ignorar erros, mas de ver além deles. Não se trata de exigir perfeição, mas de inspirar crescimento.
A confiança que se planta hoje será a performance que se colherá nos meses que seguem. Portanto, ao traçar os planos para 2026, que cada organização se pergunte: "Como posso fortalecer a confiança interna para que a minha equipa cresça não apenas em produtividade, mas em coragem, compromisso e capacidade de enfrentar desafios?" Porque desacreditar pode limitar, mas acreditar pode transformar. E é essa transformação que nos permite não apenas chegar a um novo ano, mas fazer dele um ano de impacto, consistência e realização concreta
Edição 859 do Expansão, sexta-feira, dia 16 de Janeiro de 2026











