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Opinião

Comunicação

Editorial

A comunicação governativa também tem de ser proactiva. Antes dos problemas acontecerem, dos objectivos e das datas não se cumprirem, avançar com explicações, porque elas existem.

A comunicação é fundamental na acção governativa. A forma como a presidência e cada ministério se relaciona com os meios de comunicação social e a opinião pública define a percepção que a população, na sua generalidade, tem daquilo que o governo faz ou não faz em prol do País. Alimenta ou destrói o ambiente de confiança entre quem tem a responsabilidade de tomar medidas, a forma como são executadas e o sucesso ou não, que estas possam ter. É também a forma como esta comunicação é feita que alimenta a confiança que as entidades e instituições estrangeiras sediadas em Angola possam ter no nosso governo. E depois é esta percepção que passa para as estruturas centrais que estão nos respectivos países de origem.

O escrutínio é cada vez maior, com as redes sociais a terem também papel importante, pelo que os parâmetros com que esta comunicação era feita no passado, não resulta. Um discurso frequentemente voltado para ideias e projectos que poderão acontecer num futuro longínquo, com suporte de números e datas que raramente se cumprem, também não ajuda. Da mesma forma, que pura e simplesmente optar pelo silêncio levanta ondas de especulação que se espalham rapidamente e ajuda a disseminar inverdades que depois são muito difíceis de parar.

Também um discurso excessivamente adjectivado, completamente fora do entendimento e da realidade que a maioria dos cidadãos vive, retira credibilidade a uma posterior mensagem que é importante e credível. O equilíbrio na comunicação é outra virtude. Não é falar menos, é falar de forma mais ponderada. Não ficar é zangado quando as questões colocadas, antes responder e aproveitar para explicar o seu ponto de vista.

Depois a credibilidade dos canais usados. Os governantes habituaram-se à comodidade da comunicação social pública, onde as perguntas são condicionadas e os cenários sempre "cor-de- -rosas", o que lhes foi retirando esse prazer político de discutir ideias de forma aberta e ter de "convencer" os interlocutores. De estudar os dossiers e ter os argumentos na ponta da língua. De perceber que é necessário ouvir quem não pensa como ele para reforçar os seus argumentos e tomar as decisões mais acertadas.

A comunicação governativa também tem de ser proactiva. Antes dos problemas acontecerem, dos objectivos e das datas não se cumprirem, avançar com explicações, porque elas existem. Esperar que ninguém vai falar disso é um erro, que não devem ser os próprios a assumir as falhas, só desgasta a imagem do visado, numa primeira fase, e de um todo no geral. Que neste caso é o governo. Depois a forma como se comunica, que é também fundamental para gerar confiança junto das pessoas. Existem condições básicas como projectar a voz, ter um discurso fluído, alterar o tom de forma gradual e estudada para mostrar emoção, não baixar os olhos nem fixar o olhar apenas num ponto, ou fazer gestos bruscos. Não se mostrar surpreendido, nem alterar a expressão facial quando a pergunta é mais complicada, sorrir de vez em quando para gerar empatia.

Mas, fundamentalmente, é necessário ter um discurso inclusivo. Firme mas sem ser arrogante, não se alongar em temas que não domina ou sobre os quais tem dúvidas, admitir os erros quando se justifique, apresentar primeiro realizações e factos concretos para depois passar a mensagem de ideias e projectos. Uma última consideração. A comunicação de um governo deve ser discutida entre os ministros, depois de analisados os pontos fortes e fracos de cada ministério, e não feita de uma forma autónoma por cada um deles. A inclusão deve começar de dentro.