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"O preço [das peças de arte] são estabelecidos arbitrariamente"

YOLA BALANGA

Artista colocou à disposição exposição individual "Quadros de Guerra, Corpos de Luto", com a co-curadoria de Zaci Dombaxi Xinavane. Amostras reflectem em torno do que acontece na sociedade, com a artista a apelar a maior acção do Estado em prol da arte.

1 de Setembro "Quadros de Guerra, Corpos de Luto". O que reflecte para si?

A exposição "Quadros de Guerra, Corpos de Luto" reflecte o estado social em que vivemos, não só em Angola, mas em outras partes de África e , talvez, do mundo.

O que quer mostrar, na prática, com essa apresentação?

[A exposição]levanta aquelas questões que sempre vimos logo de manhã ou de noite nos noticiários da TV, rádios ou redes sociais. Reflecte sobre o estado da legitimação da violência e outros multiversos de problemas. Reflecte o meu, o teu, o nosso estar social e modus vivendi, busca revisitar aquela legitimação puramente machista que foi incutida na cabeça das mulheres desde crianças de que elas são ou devem aprender a ser donas de casa, suportar "reclames" ou códigos sociais que a coloquem sempre na traseira de um homem e nunca na dianteira.

A exposição reúne pinturas, fotografias, performance e instalação. Esse conjunto era a melhor forma de expressar as suas ideias?

Há conceitos que simplesmente não cabem em uma única linguagem, transcendem; o que está traduzido em instalação tinha a necessidade de estar em instalação como a obra " Magnatas Miseráveis" e as outras obras seguem a mesma ideia conceptual. Ou seja, a exposição, separada, não traduziria o que pensa.... Não posso ou não podia traduzir minhas intenções apenas com uma das formas, porque cada obra funciona como o vestuário, ela activa sentimentos, sensações e afectos com o público e, por isso, os meios escolhidos são os que achei que melhor iriam estabelecer esse diálogo que pretendia criar com os espectadores.

Precisou de todas as técnicas para se exprimir?

Imagine, na sociedade em que vivemos, em que se prima muito pela imagem e aparências e afectos às pessoas que se vestem unicamente com as mesmas roupas durante uma semana?! Estou a usar essa passagem para lhe mostrar ou activar a sua sensibiidade e afecto por esses itens (vestuários e imagem). Na prát[1]ca artística também temos isso: se cada dia a gente sente a necessidade de trocar para melhor sermos vistos ou atrair afeição do observador, então, na arte, também é bem assim.

Apesar de desenvolver várias técnicas, já disse que prefere a performance. Porquê?

O acto performativo possibilita, a partir da acção, uma relação do corpo (corpo do performer assim como do público) com uma vivência específica do tempo e espaço. Prefiro a performance porque abre ou cria sensibilidade com o corpo do espectador em menor espaço de tempo, pois uma performance bem realizada introduz o espectador na obra rapidamente e o torna parte dela. A minha prática artística vem maioritariamente do teatro, por ser uma linguagem onde o corpo é a ferramenta principal.

Considera-se uma artista multidisciplinar?

Sim, por fazer várias disciplinas artísticas e "transdisciplinar" quando essas disciplinas transcendem uma a outra. A profissão assim exige, porque procuro sempre activar ou abordar minhas reflexões em outras disciplinas artísticas, a mobilidade é a característica dos fluidos (seres) na modernidade e isso me incentiva experimentar outros meios de se comunicar com o público que também oscila sempre nas suas emoções e experiências sensoriais.

(Leia o artigo integral na edição 683 do Expansão, de sexta-feira, dia 15 de Julho de 2022, em papel ou versão digital com pagamento