"Não nos devemos sentir superiores ou inferiores a ninguém"
Conhecido por suas obras que procuram conectar os povos, às raízes e a modernidade, o artista que esculpiu a "Arquitectura da União", escultura oferecida ao Papa Leão XIV pelo presidente João Lourenço. Mas lamenta a falta de galerias públicas que valorizem a arte nacional.
Conta-nos da sua trajectória no mundo das artes visuais?
Dei os primeiros passos aos 13 anos. Fiz uma formação de capacitação que durou 12 anos na escola Tradicional de Arte (Mintadi) na província do Zaire. Em 1987 mudei-me para Luanda com o meu tio e o avô, estudei no Instituto Médio de Arte, fui pioneiro na criação da Associação ProArte Angola, o antigo mercado do quilómetro 16 no Benfica. Anos depois fui para o Instituto Superior de Arte e posteriormente, fiz o mestrado em ensino de História de Angola.
Quando deu o salto mais alto na sua carreira?
Foi quando venci o prémio do CICIBA, onde tive várias pessoas que me ajudaram na autopromoção, na integração e no conhecimento. Na altura, os artistas Rui de Matos e Marcela Costa foram meus padrinhos para ingressar na União Nacional dos Artistas Plásticos Angolano. Enquanto o Hendrick Vall Neto e Ana Maria de Oliveira deram-me a possibilidade de de ender a minha arte e enquadrá--la no ensino, independentemente de ser baseada em ideolo gias africanas, fundamentos linguísticos e em simbologias dos povos africanos.
Quer dizer que a simbiose entre a ciência e sua arte, baseada em ideologias africanas, permitem-lhe dar respostas a várias questões?
Sim! Ao longo do tempo tenho me capacitado para expressar-me através da arte e tudo que me rodeia. Resultado disto está a criação da obra "Jingila Muna Fu" de 2,75 metros, que pesa cerca de 4 toneladas que está na Assembleia Nacional da República. Foi esculpida durante 24 meses, após a conclusão do curso de talha sobre pedra que fiz no Zimbabué.
"Jingila Muna Fu" na língua kikongo significa viver segundo os costumes, na diversidade e em harmonia. É uma mensagem para às Nações?
É um conselho em nome dos artistas plásticos que deve estar patente na consciência de cada um. Dentro da Assembleia Nacional cada um deve saber o seu papel, sobretudo, o que irá resultar de todas as suas discussões. É também uma interpretação das nossas raízes, em função dos provérbios e metáforas para poder fazer uma simbiose com o que se vive. Entendo que os partidos políticos convergem para um determinado fim, embora cada um defenda a sua bandeira, mas o objectivo deve ser único - temos que viver em harmonia.
As suas raízes históricas e culturais são as suas principais fontes de inspiração.
Sim! Porque aprendi a contex tualizá-las. Vimos a obra dada ao Santo Papa com o título "Arquitectura da União", pois é exacta mente o que o mundo precisa hoje. Mas para construirmos esta união temos de nos juntar, ser mansos, ter pensamento único e, acima de tudo, sermos pessoas totalmente preparadas, porque existem pessoas que não estão preparadas para a...
















