Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Angola

Feira da Liberdade facturava mais de 19 milhões Kz mensais

ENCERRADA A SEMANA PASSADA

Gestora da Feira diz que o encerramento do espaço representa uma perseguição. Administração municipal avança que o local não tinha condições.

A Feira da Liberdade, localizada no Golfe 2 e em funcionamento há mais de nove anos foi encerrada na semana passada pela Administração Municipal do Kilamba Kiaxi no âmbito do Programa de Reordenamento do Comércio (PRC). Trata-se de um negócio que envolve muitos milhões, em que a gestora ignorou durante mais de 3 anos as ordens de encerramento por parte da administração municipal.

Ao que o Expansão apurou, as 1.650 bancas desta feira rendiam à gestora 500 Kz por dia. Desta forma, o espaço movimentava cerca de 19,8 milhões Kz por mês, provenientes das contribuições diárias. Além disso, para se instalarem no espaço, as feirantes eram obrigadas a comprar a banca, com valores que rondavam entre os 400.000 Kz e os 500.000 Kz. Contas feitas, potencialmente este espaço valia 742 milhões Kz em bancas e 237,6 milhões Kz anuais em taxas pagas pelas feirantes.

Um negócio aparentemente muito rentável para quem geria o espaço, Cecília Xavier, que se apresentava como proprietária do terreno, mas que de acordo com documentos que o Expansão consultou, a Administração Municipal do Kilamba Kiaxi diz ser, afinal, propriedade do Estado.

Cecília Xavier disse ao Expansão que deu início à feira naquela zona (um espaço entre duas estradas) há cerca de 9 anos, adiantando ter legalizado a feira junto da administração da altura em que arrancou com o negócio. Durante anos, a gestora Cecília Xavier diz e mostrou documentos ao Expansão que comprovam a entrega de parte das receitas à Administração Municipal, que já teve vários administradores.

Ainda assim, os comprovativos rondaram apresentados mostravam transferências com valores entre os 300.000 e os 500.000 Kz, valores muito abaixo daquilo que seria a facturação mensal com a realização desta feira. Entretanto, em 2023 foi alertada pela actual administradora municipal de que esta feira iria ser transferida para outro local. Fonte da administração municipal diz que este órgão publicou anúncios em jornais e na televisão e comunicou presencialmente à gestora de que a feira teria de ser removida. No entanto, esta diz que não foi informada, o que segundo várias feirantes disseram ao Expansão, não corresponde à verdade.

Após o encerramento, as feirantes foram transferidas para o mercado do Tecnotúnel, também situado no Golfe 2, junto ao campo Polivalente. O Expansão constatou que a mudança não trouxe grandes dificuldades para os clientes, que continuam a ter acesso aos produtos sem necessidade de percorrer longas distâncias.

No entanto, o mercado foi construído para acolher apenas 1.000 comerciantes, número considerado insuficiente pelas vendedoras, que solicitam a ampliação do espaço. Rosa Maria (nome fictício), vendedora de vestidos, lamenta a forma como o processo foi conduzido, alegando falta de comunicação prévia. "A Administração errou em não nos avisar. Centenas de colegas perderam os seus negócios", afirmou, adiantando que se tratou de uma remoção coerciva e brutal.

Já Esperança Lourenço (nome fictício), vendedora desde a fundação da feira, considera que a decisão até acaba por ser positiva. "Pagávamos valores exorbitantes e não tínhamos garantias. Agora, no espaço disponibilizado pela Administração, sinto-me mais aconchegada", disse.

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo