"Este é o meu último artigo!..."
A curiosidade obedece a um mecanismo inato de busca de informação. "O quê? O que é que se passa? Como assim, último?!", e lemos, em busca de uma resposta rápida. O cérebro fica atento ao que sai do normal, ao que se diferencia do repetido. A palavra "último" funciona como um despertador, um alarme para o cérebro.
Este não é o meu último artigo - a menos que eu morra ou que o jornal Expansão me dispense. A Inteligência Artificial explica-me que as chances de eu morrer no próximo mês são de 0,01%, o que me deixa animada (mas desconfiada), e que as chances de eu ser dispensada pelo Expansão são um pouco maiores (o que me recuso a acreditar).
Consulto de novo a IA, para saber qual a percentagem de leitores que chegariam pelo menos até ao primeiro parágrafo de um artigo com esse título. Parece que, em geral, no mundo, 80% dos leitores não passam sequer do título de qualquer artigo ou publicação! Quando a curiosidade é accionada, no entanto, as percentagens podem subir, e cerca de 60% dos leitores pode chegar até meio da introdução...
Os leitores do jornal Expansão são, no entanto, muito diferentes da média global: o público é especializado e a leitura que faz é profunda e intencional. Fantástico! Isso significa que, neste ponto do texto, continuamos juntos. Vamos então ao nosso tema. Quais são os mecanismos psicológicos que entram em funcionamento quando nos deparamos com informações ou títulos como: "Este é o último..."? Vejamos:
01. Curiosidade : a curiosidade obedece a um mecanismo inato de busca de informação. "O quê? O que é que se passa? Como assim, último?!", e lemos, em busca de uma resposta rápida.
02. Curiosidade epistémica : queremos saber mais, entender a com plexidade dos comportamentos e decisões. O título gera a questão: "Porquê?". E nós queremos entender os porquês.
03. Quebra de padrão : o cérebro fica atento ao que sai do normal, ao que se diferencia do repetido. A palavra "último" funciona como um despertador, um alarme para o cérebro. Há como que um pequeníssimo choque elétrico no cérebro. Pensamos: "O que se passa aqui?".
04. Efeito Zeigarnik e fecho cognitivo : o cérebro gosta de finais, de histórias completas, acabadas. Enquanto a história não estiver terminada, há uma tensão mental que obriga o cérebro a estar alerta. Retemos toda a matéria estudada até ao momento da prova, e depois esquecemos tudo. Os empregados de mesa recordam pedidos com plexos até que tudo tenha sido pago, e aí esquecem de imediato a mesa e o pedido. Isso leva-nos a ler o artigo em busca de resposta: "Porquê? Vai deixar de escrever artigos porquê?", mantendo-se o estado de alerta e a busca de encerramento.
05. Viés do status quo/do habitual ameaçado : há leitores que
*FÁTIMA SAMPAIO FERNANDES, Psicóloga da Saúde











