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"Gostaria imenso se um dia pudesse viver da arte, mas em Angola é muito difícil"

PEDRO FERNANDES "PIDUKA"

Pedro Fernandes "Piduka" tem o curso médio de do IMIL, passou pelo desporto profissional, tornou-se actor mas precisou de investir num curso de frio para criar uma empresa, que é a sua principal fonte de receita. Defende que o privado deve investir mais na cultura e arte no País.

Como se iniciou no mundo das artes?

Começo com uma cena interessante. Vivia na Vila Alice e como cresci vaidoso e era aficionado por desporto tive sempre um corpo slim e uma postura de modelo. O Adelino Caracol viu- -me a conversar com os vizinhos e chamou um deles para saber quem eu era. Na altura devia ter uns 30 e poucos, para ver que comecei muito tarde.

E como surgiu o primeiro convite?

Nas conversas seguintes que tivemos, a proposta do Adelino era que eu devia fazer uma publicidade de uma peça teatral do Horizonte Njinga Mbande e em troca beneficiaria de uma formação de actores. Aliás, deixe-me ressalvar que o Horizonte é dos principais grupos que ainda realizam formação de actores com professores nacionais e internacionais. Mas, na verdade ainda não fiz este curso de actores (risos).

E nem pensa em fazer?

Penso mas ainda não aconteceu por falta de disponibilidade da minha parte.

Mas isso não o impediu de se tornar actor?

Não. Naquela fase, surgiu a produção de "Vidas a preto e branco" e o Óscar Gil estava à procura de um actor para fazer o papel de vilão. O Adelino Caracol perguntou-me se podia indicar o meu nome e eu disse que sim. Fui lá ter, tivemos uma apresentação oficial dos actores e equipa técnica e foi o meu primeiro desafio profissional.

Mas não começou a trabalhar no início das gravações?

Não. O Óscar Gil já tinha começado a gravar e como saíram alguns actores, houve esta necessidade de reposição. Eu já estava um pouco por dentro do projecto, porque já apoiava um amigo que estava envolvido.

Apesar de se descobrir como actor pela oferta do curso de actores para teatro começou na televisão?

Sim. Apesar de ter feito teatro na escola Ngola Mbande, era algo muito superficial. Mas lembro que, na altura, o Adelino Caracol disse que não me queria no teatro, porque achava que os actores de teatro têm uma forma muito mais mecanizada de actuar.

E finalmente começou a fazer teatro em 2021.

Sim, em 2021 entro de facto para o teatro, ao participar do projecto da produtora Light Life Productions e começo a dar os primeiros passos na peça "Asfixiados por elas".

Foi para o teatro porque sentia esta necessidade enquanto actor ou apenas pelo convite?

Senti esta necessidade enquanto actor. Até porque tenho muitos colegas que também estão ligados à televisão e cinema, mas ainda assim são ficcionados pelo teatro. Aliás, admiro a coragem com que estes colegas levam a bandeira do teatro, a coragem deste desafio que não é fácil.

Assim como para a televisão e cinema...

Falo das dificuldades para todas as artes de representação. Mas vejamos, é diferente dos trabalhos direccionados para o cinema, como os filmes em que se vai fazendo algumas produções, que acabam por ser canalizadas até nas plataformas digitais. E do outro lado temos as produções para a televisão que vai se fazendo alguma coisa.

Tudo produção do sector privado?

Sim. Depois da Semba Comunicação, a Banda TV assumiu um papel importante neste segmento e foi dando impulso às produções de telenovelas e séries. Fez a "Muxima", o "Munambe" e parece que estão a trabalhar numa nova produção. E temos também a Kwenda Magi que está a fazer a novela "O Rio" e vão surgindo produtoras menos vistosas.

(Leia o artigo integral na edição 671 do Expansão, de sexta-feira, dia 22 de Abril de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)