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Angola

Produção de petróleo em 2025 é a mais baixa dos últimos 10 anos

RECUO DE 40% PARA APENAS 1,029 MILHÕES BARRIS/DIA

Falta de grandes investimentos, envelhecimento dos campos, além da redução da atractividade do sector atirou a produção petrolífera para o nível mais baixo dos últimos 10 anos numa altura em que a diversificação económica ainda está a conta-gotas. Cenário até 2050 não é animador.

A produção petrolífera em Angola registou uma quebra de 40,2% nos últimos 10 anos, saindo de uma produção média de 1,722 milhões de barris por dia, em 2016, para 1,029 milhões de barris/dia em 2025 e já é o valor mais baixo numa década. Face a 2016, período em que o País registou o pico da sua dívida à China, Angola produz hoje menos 693 mil barris por dia, o que se traduziu numa forte queda de receitas fiscais.

Esta queda é resultado do declínio da produção que todos os anos afecta a indústria de petróleo e gás. Em termos anuais, entre 2024 e 2025, por exemplo, a produção caiu 9%, passando de 411,5 milhões de barris para 377,5 milhões, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG). O que Angola produziu no somatório dos 12 meses do ano passado equivale a 94% dos 400,8 milhões de barris de crude que o Executivo previu produzir todo o ano, segundo o relatório de fundamentação do OGE de 2025.

A produção média de 1,029 milhões de barris/dia do ano passado ficou, assim, 69 mil barris abaixo dos 1,098 milhões de barris/dia de média que o Governo inscreveu no OGE 2025. É o declínio natural dos campos maduros problemas técnicos em infraestruturas (como FPSOs), que têm originado paragens não programadas.

Apesar de recorrentemente estarem a ser anunciados investimentos no sector, o certo é que este tipo de investimentos demora muitas vezes tempo até estarem em operação. E os que têm entrado em exploração têm sido insuficientes para inverter o quadro de declínio da produção. Ainda assim, basta olhar para os dados do Investimento Directo em Angola (IDE) no sector petrolífero para perceber que a captação de investimento no sector está hoje muito longe daquilo que foi no passado. Por exemplo, em 2014 foram investidos 16,4 mil milhões USD, enquanto em 2024 foram investidos apenas 9,5 mil milhões USD, ainda assim, acima dos quase 6,0 mil milhões investidos em 2017. Ou seja, conforme consideram alguns especialistas, hoje está-se a pagar demasiado caro aquilo que foi o retrocesso no investimento no sector, especialmente entre 2016 e 2022.

E há outra questão, que é o facto de hoje cerca de 45% dos 1.630 poços de petróleo perfurados no País se encontram fechados, embora não estejam definitivamente abandonados, conforme revelou a ANPG há uns meses.

Para o PCA da PetroAngola, Patrício Quingongo, acima de tudo é importante acelerar o desenvolvimento dos campos marginais, além de se fazer uma revisão a nível do regime fiscal e da Lei das Actividades Petrolíferas, no sentido de tornar a indústria nacional mais competitiva e mais atractiva para o investimento.

Já Vladimir Pereira, analista do mercado de petróleo da PetroAngola, aponta a falta de licitações de blocos entre 2011 e 2017 como uma das principais causas do declínio da produção petrolífera, aliada à quebra de produtividade dos próprios poços. Ou seja, como a maior parte da produção em Angola é feita a partir de campos maduros, que já produzem há mais de 30 anos, nesta altura esses campos já acusam desgaste, provocando um declínio natural. E por conta disso tem havido paragens de produção não programadas, resultando em quebras na produção.

Ainda assim, o responsável considera que a melhoria na legislação e a entrada em produção de alguns projectos, embora de pequena dimensão, tem contribuído para a estabilização da produção um pouco acima da barreira psicológica de 1 milhão de barris de petróleo/dia, fazendo com que não caia de forma abrupta.

Como exemplo há o projecto CLOV Fase 3 (Bloco 17), operado pela TotalEnergies em parceria com a ANPG e parceiros, que iniciou a produção em Julho de 2025, adicionando 30 mil barris/ dia de petróleo. Já o Begónia, o primeiro projecto interbloco em Angola também operado pela TotalEnergies, que entrou em operação igualmente em meados do ano passado, prevê produzir 30 mil barris de petróleo dia/dia.

(Leia o artigo integral na edição 862 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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