EUA avançam com Acordo-Quadro sobre Minerais Críticos e colocam Angola no radar estratégico
O subsolo angolano alberga um potencial significativo de minerais críticos e estratégicos, incluindo lítio, grafite, manganês, cobre, níquel, cobalto e terras raras - todos essenciais para baterias eléctricas, energias renováveis, semicondutores e indústrias de defesa.
A primeira Reunião Ministerial sobre Minerais Críticos, realizada nesta quarta-feira em Washington D.C., marcou um novo passo na reorganização das cadeias globais de fornecimento de matérias-primas estratégicas, com os Estados Unidos da América a proporem formalmente a criação de um Acordo-Quadro sobre Minerais Críticos. A iniciativa visa estabelecer princípios comuns para investimentos responsáveis, cooperação tecnológica e maior resiliência das cadeias de abastecimento, num contexto de crescente competição geopolítica e aceleração da transição energética.
O encontro foi aberto pelo vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, que sublinhou a centralidade dos minerais críticos para a segurança económica, a competitividade industrial e os objectivos climáticos globais. A proposta norte-americana surge como resposta directa à elevada concentração da produção e do refino destes minerais em poucos países, um risco que Washington pretende mitigar através de parcerias com economias consideradas politicamente estáveis e ricas em recursos naturais.
É neste quadro que se insere a presença de Angola na reunião ministerial. Segundo nota da embaixada angolana em Washington, o encontro reuniu governos e organizações internacionais com o objectivo de promover uma cooperação internacional mais estruturada e transparente no domínio dos minerais críticos. Para Luanda, trata-se de um espaço diplomático que reforça a ambição de posicionar o País como fornecedor relevante de matérias-primas estratégicas fora dos circuitos tradicionais dominados pela Ásia.
Angola esteve representada pelo embaixador nos Estados Unidos, Agostinho Van-Dúnem, que classificou a iniciativa como um marco no diálogo estratégico internacional e uma oportunidade para reforçar a diplomacia económica angolana. A participação enquadra-se, também, no aprofundamento da cooperação bilateral com Washington, nomeadamente no âmbito do Memorando de Entendimento IGED-USG para a Cooperação Científica em Ciências da Terra, instrumento que pode acelerar o mapeamento geológico e a valorização dos recursos minerais do País.
O interesse internacional por Angola não é casual. O subsolo angolano alberga um potencial significativo de minerais críticos e estratégicos, incluindo lítio, grafite, manganês, cobre, níquel, cobalto e terras raras - todos essenciais para baterias eléctricas, energias renováveis, semicondutores e indústrias de defesa. Embora muitos destes recursos ainda se encontrem em fase de prospecção ou avaliação, o Governo tem vindo a sinalizar uma aposta clara na diversificação da economia mineira, tradicionalmente centrada nos diamantes.
A eventual adesão a um Acordo-Quadro liderado pelos Estados Unidos poderá representar, para Angola, acesso a financiamento, tecnologia e mercados, mas também maiores exigências em matéria de governação, transparência e sustentabilidade ambiental. Num momento em que os minerais críticos se afirmam como novo eixo da geoeconomia global, a presença de Angola neste fórum sugere uma tentativa de antecipar tendências e captar investimento num sector chamado a ganhar peso crescente na balança externa e na estratégia de desenvolvimento do País.











