Entrada da Carrinho no BFA abre porta à saída do BPI
Agigantar-se para evitar num futuro próximo uma queda à semelhança do que aconteceu com outros gruposeconómicos em Angola, que tinham ligações ao antigo poder, parece ser a estratégia do grupo de Benguela.Da agricultura, a um mega complexo industrial e à distribuição, agora aposta forte no sistema financeiro.
O Grupo Carrinho continua o seu trajecto de se tornar no "big to fall" antes das eleições gerais de 2027 e agora anunciou deter uma participação qualificada de 7,61% naquele que é o segundo maior banco do sistema financeiro nacional, o BFA. O segundo maior accionista, o banco português BPI, admite estar vendedor.
Apesar de tudo, a entrada do Grupo Carrinho no BFA não deixou o sistema financeiro surpreso, até porque durante o leilão as correctoras próximas do grupo estiveram muito activas.
Isto porque quando o BPI anunciou em 2024 que queria vender a totalidade da sua participação (acabou por não se concretizar), o grupo dos irmãos Nelson e Rui Carrinho foi um dos interessados no banco que mais tem gerado lucros nos últimos anos. A tentação era grande e a dispersão de 30% das acções da Unitel e do BPI por via de uma IPO (Oferta Pública Inicial) em bolsa foi a oportunidade para dar início ao "assalto ao castelo".
Como já se esperava que a procura fosse superior à oferta (procura superou a oferta em 506,37%), que levaria a um rateio das acções (distribuição proporcional de títulos), a estratégia passou por fazer várias ofertas recorrendo à Congolian, mas também aos seus dois accionistas e a pessoas próximas do grupo para fazerem ofertas pelas acções a titulo individual. Segundo a comunicação da Congolian enviada ao regulador da bolsa, a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), este braço financeiro do Grupo Carrinho representa os interesses das acções da própria Congolian (285.840 acções), Nelson Carrinho (225.958) e o irmão Rui Carrinho (225.958). Por outro lado, Atandel Chivaca, ex-administrador e homem forte do braço financeiro do Grupo Sonangol, a Sonangol Finance, que também foi administrador não executivo do Banco Económico e é hoje administrador do Grupo Carrinho, ficou com 112.982 das acções do BFA.
Já o BCI, que pertence ao grupo Carrinho, foi fundamental para este "assalto ao castelo" BFA, já que ficou com 188.301 acções, enquanto Vladimir Ferraz, o seu actual PCA ficou com 45.194 acções do BFA, e o CEO, Renato de Assunção Borges, comprou 22.596 acções. Jardel Silvério Duarte, administrador executivo do BCI, também comprou 18.829 acções, a administradora executiva Berta Nadine Ribeiro Grilo ficou com 15.068 acções e Cosete Neto, administradora independente do BCI ficou com 70 acções. Contas feitas, o braço financeiro do Grupo Carrinho, a Congolian (criada para "dar a cara" nos investimentos da Carrinho no sistema financeiro nacional) representa interesses de 1.140.806 acções do BFA: um total de 1.133.747 foram compradas ainda na fase de leilão em bolsa e as restantes 7.159 acções foram adquiridas em mercado secundário (pode ajudar a explicar em parte a mega valorização do banco após o leilão). Assim, a Congolian detém 7,61% do capital social do banco.
(Leia o artigo integral na edição 862 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)











