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Angola

"Ciclo de preços altos do barril de crude favorece a transição energética"

MAIS DINHEIRO DISPONÍVEL PERMITE INVESTIMENTO EM ENERGIAS DE MENOR RISCO, SEGUNDO INQUÉRITO DA DELOITTE

A consultora Deloitte auscultou 500 executivos do sector de petróleo e gás espalhados pelo mundo. O objectivo da pesquisa é perceber as tendências do sector para 2022. O Expansão traz-lhe em exclusivo as principais conclusões do estudo, que apontam para o acelerar da transição para as energias verdes.

A manutenção do ciclo de alta de preços do barril de crude, se ocorresse anteriormente, significaria que no curto prazo poderia atrasar a transição energética já que, em época dos preços altos, as empresas de petróleo e gás têm tendência a focar-se mais no seu core business do que nas oportunidades de sustentabilidade ambiental.

Segundo dados de uma pesquisa de opinião da Deloitte junto de 500 executivos da indústria de petróleo e gás, a que o Expansão teve acesso, 76 % dos executivos do sector afirmam que os preços do barril de crude acima dos 60 USD vão favorecer ou complementar a transição energética a médio e longo prazo.

O estudo aponta duas razões principais para fundamentar esta tendência. A primeira é que as petrolíferas estão mais disciplinadas nos dias de hoje, no que diz respeito à produção e direcionamento de capital para projectos, independentemente dos preços altos. A demonstrar esta disciplina está a queda de 37% entre Janeiro e Setembro de 2021, nos poços perfurados mas incompletos, níveis de produção estáveis e a redução da dívida das petrolíferas em 3%, mas com uma projecção de 4% até ao final do ano. Dados que sugerem que as empresas não estão apenas a gerir o ciclo dos preços.

Os executivos do sector de petróleo e gás apontam como segunda razão o facto de a alta dos preços do petróleo estar a permitir que as empresas de petróleo e gás financiem o seu compromisso de emissão de zero carbono.

Aliás, o número de empresas a assumir o compromisso de zero carbono também cresceu. Já que no ano passado as petrolíferas dos EUA e do Canadá juntaram-se às europeias, que já haviam assumido este compromisso em 2020. "Preços do petróleo fortes permitem investimentos em soluções de energias de menor risco, com destaque para as energias verdes, como a captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS sigla em inglês) " lê-se no relatório.

Uma vez que nenhum stakeholder poderá sozinho absorver os riscos comerciais associados e providenciar os investimentos necessários para o desenvolvimento da indústria de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS), o estudo aponta que todos os participantes da indústria se tornam cada vez mais importantes, uma vez que estarão envolvidos em mais da metade dos projectos de CCUS, independentemente de serem operadores ou prestadoras de serviços no upstream, midstream e downstream.

(Leia o artigo integral na edição 657 do Expansão, de sexta-feira, dia 14 de Janeiro de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)