Inconsistências estatísticas ditam ruptura entre INE e Ministério da Indústria
Há mais de um ano que os dados que chegavam ao INE para serem inseridos no IPI vinham do novo Portal da Indústria, do MINDCOM. Face às inconsistências detectadas, o instituto dá um passo atrás, o que gerou um "bate-boca" público entre os dois organismos. INE diz que alteração não obriga a revisão ao PIB.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) decidiu retomar o cálculo do Índice de Produção Industrial (IPI) da Indústria Transformadora com base na recolha directa de informação junto de 183 unidades industriais, deixando cair os dados que desde Julho de 2025 lhe eram facultados pelo Ministério da Indústria e Comércio, via Portal da Indústria, numa decisão aparentemente unilateral que apanhou de surpresa este órgão do Governo. Inconsistências estatísticas desses dados levaram o INE a rever a série temporal deste indicador e provocaram um "bate boca" público entre os dois organismos.
Na publicação do IPI de Agosto consta um documento denominado "Nota técnica sobre a revisão dos dados do Índice de Produção Industrial", onde explica que no âmbito de melhorar a cobertura estatística deste índice, passou a adoptar em Julho de 2025 "os dados administrativos do sector da indústria como fonte de informação para o cálculo da secção C (Indústria Transformadora)", mas que após uma revisão identificou alterações no comportamento e na variabilidade da série.
"Em virtude deste diagnóstico, o cálculo do IPI da Indústria Transformadora voltará a basear- -se, integralmente, na recolha directa dos dados de uma amostra de 183 unidades industriais, incluindo empresas e estabelecimentos importantes na cadeia produtiva. Esta medida de controlo da qualidade estatística visa assegurar maior consistência do indicador e uma adequada captação das variações da produção industrial", refere a nota do INE.
Dias depois, o Ministério da Indústria e Comércio emite um comunicado sobre o assunto, indiciando ter sido apanhado..











