Portugal e offshores continuam a liderar investimentos angolanos lá fora
O BNA continua a identificar apenas cinco destinos dos investimentos dos angolanos no exterior, deixando 29% do stock na categoria "Outros", sem revelar quanto está aplicado em países como a Suíça, Malta ou Dubai, onde investidores angolanos têm constituído empresas para servir de ponte a negócios em Portugal ou Angola.
Portugal continua a ser o principal destino do investimento dos angolanos no exterior, apesar da redução do seu peso no primeiro trimestre deste ano. Em conjunto com as ilhas Maurícias, Ilha de Man, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, os cinco países concentraram 3.299,5 milhões USD, cerca de 71% do stock total de investimento angolano fora de Angola no primeiro trimestre deste ano, quando no final de 2025 estes destinos representavam cerca de 77% do total, o que significa que, no arranque deste ano, perderam espaço para outras jurisdições.
Contas feitas, o stock de investimento dos angolanos no exterior aumentou apenas 5 milhões USD no primeiro trimestre para 5.342,3 milhões USD, um crescimento de 0,1% face a Dezembro de 2025, de acordo com cálculos do Expansão com o relatório do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre a Balança de Pagamentos e a Posição do Investimento Internacional de Angola. No relatório, o banco central apenas identifica cinco locais onde os angolanos têm investido fora do País, nomeadamente Portugal (que tem a offshore da ilha da Madeira), bem como os offshores Maurícias e Ilha de Man, bem como São Tomé e Cabo Verde (ver gráfico).
Até então, o peso de Portugal no stock de investimento dos angolanos no estrangeiro vinha a crescer desde 2021 (período pós- -pandemia) até ter disparado 34% em 2025 para 3.096 milhões USD. Entretanto, no primeiro trimestre deste ano recuou 9% para 2.820 milhões USD (- 275 milhões USD), passando a representar 52% do total, contra 57% registado no final do ano passado, uma redução de cinco pontos percentuais face a Dezembro.
Apesar da redução registada no primeiro trimestre, Portugal continua a representar mais de metade de todo o investimento dos angolanos no exterior. Parte relevante dos movimentos registados poderá estar relacionada com operações da Sonangol.
Segundo informação apurada pelo Expansão junto de uma fonte conhecedora do processo, o aumento dos investimentos em Portugal no final de 2025 estará associado a recursos gerados noutros países e posteriormente canalizados para investimentos da petrolífera naquele mercado, não correspondendo necessariamente a novos lucros gerados em Portugal.
Tal como avançou o Expansão na edição 882, a mesma fonte não conseguiu, contudo, precisar se parte desses recursos corresponde a dividendos provenientes da participação indirecta da Sonangol na petrolífera portuguesa Galp, através da Esperaza Holding, veículo de investimento sediado nos Países Baixos. Além destas operações, existem também casos de investimento em imobiliário. A crescente ligação entre Angola e Portugal é igualmente explicada pelo aumento dos fluxos migratórios. Nos últimos anos, tem sido notório o crescimento da emigração de angolanos para Portugal, com impacto potencial na transferência de poupanças e na aquisição de activos naquele país.
Segundo dados do Afrobarómetro, este novo fluxo migratório é composto maioritariamente por jovens e famílias de classe média que manifestam insatisfação com as perspectivas profissionais em Angola. Entretanto, o baixo volume de remessas enviadas de volta para o país é apontado como um indicador de que parte destes emigrantes poderá não ter como objectivo regressar no futuro, já que os angolanos na diáspora são os que menos enviam remessas no continente (ver página 26)...
"Outros" crescem 24%
O BNA não divulga, no relatório, a composição da categoria "Outros", que representa agora cerca de 29% do stock total de investimento dos angolanos no exterior. A ausência dessa discriminação impede, por isso, identificar quais são os países que estão por detrás do aumento registado no primeiro trimestre. Os dados mostram que o stock de investimento nesta categoria cresceu 24%, ao passar de 1.259 milhões USD, no final de 2025, para 1.560 milhões USD no primeiro trimestre deste ano, que elevou o seu peso no total em seis pontos percentuais...











