IA no mundo vai "beber" água capaz de saciar angolanos durante 11 meses
Em 2030, o consumo de água dos datacenters a nível global será 2.325 vezes superior que toda a produção de água de Angola no mesmo período, projectada em 4 milhões de metros cúbicos. Se os centros de dados fossem um país, o nível de consumo de electricidade os colocaria na 11.ª posição global
O maior problema da Inteligência Artificial não é, definitivamente, a substituição plena da mão-de-obra humana por máquinas, mas o consumo insaciável de electricidade e de água potável, que já rivaliza com o consumo doméstico em algumas cidades dos Estados Unidos. Um estudo da Organização das Nações Unidas confirma isso mesmo e alerta que, até 2030, a "sede" da IA vai consumir mais de 9,3 biliões de litros de água potável por ano para refrigerar os data centers, o cérebro da IA.
De acordo com cálculos do Ex pansão, este consumo seria sufi ciente para saciar a sede de todos os angolanos durante 11 meses, com base na recomendação da OMS de 2 litros por pessoa diariamente. Em 2030, o consumo de água dos datacenters a nível global será 2.325 vezes que toda a produção hídrica de Angola no mesmo período, projectada em 4 milhões de metros cúbicos (4 mil milhões de litros) até 2030.
Paradoxalmente, Angola reúne condições atractivas para acolher estas infraestruturas: mais de 47 bacias hidrográficas e um excedente de produção eléctrica que não chega a toda população por falta de rede de distribuição. Somada à ambição de se tornar hub tecnológico regional, o país pode ser uma das portas de entrada do continente para as grandes tecnológicas, defendem alguns especialistas. Mas os números da ONU lançam um aviso para países emergentes que ainda não distribuem estes recursos de forma sustentável.
A expansão dos centros de dados pode pressionar rapidamente serviços já frágeis. Por trás da IA, nos ecrãs dos equipamentos digitais há infraestruturas físicas que precisam de ser alimentadas para responder aos mais de 2,5 mil milhões de pedidos por dia só no ChatGPT, consumindo chips, electricidade, sistemas de refrigeração, captação de água, ocupação do solo e minerais críticos.
Para se ter uma ideia, estima-se que apenas para o treino do ChatGPT-5 (o modelo mais avançado disponível publicamente) a infraestrutura de apoio consumiu mil milhões de litros de água e ocupou uma área equivalente a 215 campos de futebol para instalar os centros de dados. O consumo de electricidade e de água varia consoante a quantidade de texto que os modelos de linguagem geram. Os vídeos produzidos por IA em alta resolução podem exigir ainda mais recursos. Com o avanço da IA, a pegada hídrica dos centros de dados cresce todos os dias e está a impactar profundamente regiões que já enfrentam falta de água ou escassez de solos, o que pode agravar os problemas ambientais das comunidades locais.
Em relação ao consumo de energia eléctrica, o estudo, que analisou 200 empresas do sector tecnológico, revela que, em 2025, os datacenters utilizaram cerca de 448 Terawatt-hora (TWh) de electricidade. Se os centros de dados fossem um país, esse nível de consumo colocá-los-ia na 11.ª posição global.
Com a trajectória de crescimento actual (desde 2017 o consumo dos datacenters cresce, em média, 12% ao ano), a procura de electricidade para alimentar a IA poderá praticamente dobrar, atingindo 945 TWh até 2030, uma quantidade capaz de...











