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Lucro da banca comercial sobe 8% para 601 milhões USD no I semestre

MAIS 42,8 MILHÕES DÓLARES

Os resultados reflectem, sobretudo, o desempenho dos investimentos em dívida pública, aumento do crédito, dos cambiais e a aposta crescente em fundos de investimento. BFA recupera a liderança dos lucros, num semestre marcado pela queda de 34% do BAI e pelo regresso aos lucros do Banco Económico, que continua em falência técnica. O African Bank of Oman, recém-chegado ao mercado angolano, já entra nas contas.

O lucro conjunto dos 20 bancos comerciais que operaram no primeiro semestre deste ano aumentou 8% para 548,4 mil milhões Kz (cerca de 601,0 milhões USD), face aos 509,0 mil milhões Kz (558,2 milhões USD) contabilizados no período homólogo, de acordo com cálculos do Expansão com base nos balancetes trimestrais individuais das instituições bancárias, ou seja, as contas referentes exclusivamente à actividade bancária, sem considerar os resultados das subsidiárias e empresas participadas pelos bancos. Contas feitas, a banca comercial lucrou mais 42,8 milhões USD quando comparada com o mesmo período do ano passado.

Sem surpresa, os números foram influenciados pelo retorno dos investimentos em títulos de dívida pública nas carteiras de activos dos bancos, principal instrumento de investimento da banca angolana. Estes investimentos cresceram 19% para 9,4 biliões Kz, mais 1,5 biliões Kz. O aumento justifica também o crescimento do peso dos títulos públicos no total dos activos, de 36% para 37%, demonstrando que os bancos continuam a preferir aplicar os seus recursos em dívida pública em detrimento do crédito à economia.

Aliado a isto está também aumento dos crédito e dos cambiais. Nota-se também, através dos balancetes, um maior interesse dos bancos em aplicações junto dos bancos centrais e no mercado de capitais, nomeadamente em Organismos de Investimento Colectivo (OIC), sob a forma de fundos de investimento. Aliás, esta é uma aposta que tem levado grande parte dos bancos a criar sociedades gestoras de fundos de investimento, com o objectivo de diversificar as fontes de rendimento e canalizar recursos para sectores como o imobiliário e activos financeiros, através da banca de investimento e do mercado de capitais, incluindo acções, obrigações, unidades de participação e títulos de dívida pública no mercado secundário. Para se ter uma ideia, as aplicações dos bancos em bancos centrais e fundos de investimento cresceram 12%, para 2,8 biliões Kz, e já representam 11% da carteira de activos da banca.

BFA lidera enquanto BAI perde força

Assim, o desempenho deve-se ao resultado positivo de 15 dos 20 bancos, que registaram aumentos dos lucros. Destaque para o BFA, liderado por Luís Gonçalves, foi o banco que mais lucrou e viu os resultados líquidos crescerem 2% para 117,3 mil milhões Kz, um aumento de 1,9 mil milhões Kz, voltando ao topo do ranking dos bancos que mais lucraram no sector. Segue-se o Standard Bank Angola, com um aumento de 19%, ao passar de 70,9 mil milhões Kz para 84,3 mil milhões Kz (+13,4 mil milhões Kz), o BCI, com um aumento de 12,8 mil milhões Kz, para 32,8 mil milhões Kz, e o Banco Sol, que viu os lucros dispararem 1.848%, para 12,3 mil milhões Kz (+11,7 mil milhões Kz).

Nesta lista, destaque-se também o Banco Económico, que regressou aos lucros, ao contabilizar um resultado líquido positivo de 39,1 mil milhões Kz, depois de ter registado prejuízos de 673,3 milhões Kz no período homólogo. Entretanto, o banco dirigido por Jorge Ramos (PCE) continua em falência técnica desde 2019 e terminou o primeiro semestre com fundos próprios negativos de 638,5 mil milhões Kz.

Por outro lado, a puxar os lucros agregados da banca para baixo esteve, sobretudo, o BAI, o maior banco em activos do país. A instituição liderada por Luís Lélis viu os lucros caírem 34% para 116,9 mil milhões Kz nos primeiros seis meses do ano, o equivalente a uma diminuição de 61,5 mil milhões Kz. Ainda assim, é o segundo banco com maior lucro no primeiro semestre, apenas atrás do BFA. Só para se ter uma ideia, o BAI foi responsável por 21% dos lucros totais da banca...

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