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Opaia aposta no carro "made in Angola" com 150 milhões USD

FÁBRICA DE MONTAGEM JÁ ARRANCOU

É mais uma tentativa dos carros feito em Angola (ainda que sejam apenas montados no País), depois do fracasso da marca chinesa Zenza e da indiana Mahindra. Os modelos da Opaia entram num mercado com cada vez mais forte presença de modelos chineses e fracas vendas de unidade nos últimos anos.

Após a atribuição de uma garantia soberana para parte do financiamento de uma fábrica de fertilizantes e a atribuição de 1,3 mil milhões EUR em contractos por ajuste directo em vários projectos do Governo, alguns deles em parceria com outras empresas, o Grupo Opaia inaugurou uma fábrica de montagem de automóveis avaliada em 150 milhões de dólares, com capacidade para produzir anualmente 22 mil viaturas e mil autocarros, entre eléctricos, a combustão e híbridos.

A fábrica, inaugurada no dia 20 deste mês, foi adquirida pelo Grupo Opaia no âmbito do Programa de Privatizações (ProPriv). A aquisição da unidade fabril resultou da alienação total do activo conhecido como Fábrica de Montagem de Automóveis CIF-CSG, no inicio do ano passado. A unidade industrial pertencia à China International Found, uma holding chinesa que actuou em Angola durante vários anos com o "cunho" de personalidades ligadas à elite política e militar do País. Vários activos da CIF, incluindo esta fábrica, foram revertidos para a esfera pública no âmbito do processo de recuperação de activos levado a cabo pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e, posteriormente, integrados ao ProPriv. Trata-se de mais uma tentativa de consolidação dos carros "made in Angola", após o arranque e posterior paralisação da marca chinesa Zenza (produzida na mesma fábrica, agora pertencente ao Grupo Opaia) e da marca indiana Mahindra, que também não encontrou viabilidade económica no mercado angolano.

Entretanto, sobre este novo empreendimento, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, acredita numa nova era. "Tivemos já experiências no passado que não foram muito bem-sucedidas. Tivemos arranques logo seguidos de paragens, mas o que temos agora dá a sensação de estar melhor estruturado. Desde logo, o facto de os investidores nacionais, do ponto de vista tecnológico, terem encontrado parceiros de referência para os vários segmentos da indústria automóvel".

Na prática, o Governo vai adquirir autocarros e outros automóveis para as instituições públicas junto da Opaia Motors, com o suposto objectivo de proteger a produção nacional, como garantiu José de Lima Massano. O governante acrescentou que o projecto se destaca não apenas pela capacidade produtiva, mas sobretudo pela aposta na formação e no desenvolvimento de competências técnicas de muitos jovens que terão ali a sua primeira experiência profissional. A nova fábrica deverá criar 1.500 postos de trabalho, número que poderá crescer para 3.500 ao longo dos próximos anos.

A Opaia Motors vai montar pick-ups (carrinhas), SUVs e viaturas ligeiras, além de autocarros que poderão aliviar "a pressão crescente no sector dos transportes públicos no País", com destaque para a capital Luanda, segundo o ministro dos Transportes, Ricardo d"Abreu, durante a inauguração da unidade fabril. "A solução para esta pressão, resultante do crescimento, da expansão urbana e do aumento das deslocações diárias, face à insuficiente capacidade de resposta e às limitações das infraestruturas, passa pela existência de capacidade produtiva instalada no País, com continuidade de oferta e sustentada por uma cadeia de valor nacional capaz de responder, a longo prazo, às necessidades do Sistema Nacional de Transporte", afirmou Ricardo d"Abreu. Assim, o Estado vai procurar aumentar a oferta de autocarros para o transporte público e também para o Programa de Mobilidade Escolar, que o Governo tem em curso, recorrendo à capacidade de produção deste novo empreendimento.

A fábrica do Grupo Opaia, pertencente ao empresário angolano Agostinho Kapaia, membro do Comité Central do MPLA, entra num mercado caracterizado por fracas vendas de veículos automóveis, após anos dourados em que se vendiam mais de 44 mil viaturas por ano, em 2014. Para se ter uma ideia, o mercado registou 4.484 unidades de carros novos vendidos em 2024, segundo dados da Associação dos Concessionários de Equipamentos de Transporte Rodoviário e Outros (Acetro).

Estes números não reflectem totalmente o mercado, uma vez que existe uma forte presença de marcas chinesas no mercado e que não estão associadas à Acetro. O Grupo Opaia é também proprietário da fábrica de fertilizantes Amufert, instalada no Zaire (Soyo), além de estar envolvido em projectos de outros segmentos, nomeadamente o Hospital Pediátrico do Huambo, o projecto Quilonga Grande de abastecimento de água para Luanda, redes de distribuição de água e a aquisição de autocarros para o Estado.

Leia o artigo integral na edição 860 do Expansão, sexta-feira, dia 23 de Janeiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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