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Auditoria contínua com IA | O que está a mudar

EM ANÁLISE

Uma das mudanças mais visíveis está nas ferramentas com inteligência artificial capazes de analisar grandes volumes de dados com rapidez e consistência. Isso permite identificar padrões, excepções e riscos com uma abrangência difícil de alcançar apenas com revisão manual. De seguida surgem os chamados "agentes de inteligência artificial".

Durante muitos anos, a auditoria foi vista como um exercício feito no fim do processo, com base em dados já fechados. Esse modelo está a mudar. Com o avanço da inteligência artificial (IA) e da automação, ganha força uma abordagem mais tecnológica e dinâmica, em que a análise acompanha os processos quase à medida que ocorrem.

A revolução da IA que também se sente em Angola

Em Angola, este movimento já se começa a sentir. Muitas empresas aceleram a transformação digital e reforçam mecanismos de controlo interno. Mais do que implementar tecnologia, está em causa uma nova forma de gerir, decidir e acompanhar o negócio. Existem análises que apontam neste sentido. O recente estudo da KPMG, Global Tech Report de 2026 aponta para uma tendência generalizada de reconhecimento do potencial da tecnologia, com muitas organizações a reflectir esse entendimento na priorização de investimentos. A inteligência artificial é aplicada muitas vezes dispersa por iniciativas que resolvem dificuldades de forma isolada, sem integração nos processos do dia-a-dia. Nesse mesmo estudo é referido, por exemplo, que 74% das organizações afirmam que os seus casos de uso de IA geram valor.

Obter valor do investimento em tecnologia

Para maximizar o impacto, é essencial garantir alinhamento interno e uma comunicação eficaz sobre a implementação destas iniciativas. O desafio vai além da tecnologia, exigindo também capacidade para identificar e escalar casos de uso com valor comprovado. É precisamente aqui que a auditoria se continua a destacar como uma área relevante e a liderar as melhores práticas, demonstrando como a inteligência artificial pode gerar valor de forma concreta e inspirar outros sectores a repensar os seus modelos operacionais.

O que muda, na prática, para a auditoria

Uma das mudanças mais visíveis está nas ferramentas com inteligência artificial capazes de analisar grandes volumes de dados com rapidez e consistência. Isso permite identificar padrões, excepções e riscos com uma abrangência difícil de alcançar apenas com revisão manual. De seguida surgem os chamados "agentes de inteligência artificial". Em termos simples, são sistemas que ajudam o auditor em tarefas específicas, desde a leitura de documentação até à identificação de incoerências. O objectivo não é substituir pessoas, mas tornar o trabalho mais rápido, consistente e focado no que realmente importa. A auditoria passa a ter o mesmo tempo do negócio e deixa de depender apenas de testes por amostragem e aproxima-se de uma leitura mais ampla e focada nas áreas de maior risco. Exemplifico de seguida alguns casos práticos que muito em breve podem ser uma realidade.

Caso prático 1

Monitorização contínua de receitas no sector petrolífero

No sector petrolífero, a auditoria contínua poderá acompanhar o registo de receitas quase em tempo real, algo especialmente relevante quando a fiabilidade da informação financeira é crítica.

O Agente de IA analisa transações e fluxos financeiros à medida que ocorrem;Este Agente aprende com o histórico de forma autónoma, usando informação considerada como boa em contas previamente encerradas;Detecta inconsistências entre produção, vendas e facturação de forma contínua;Ajuda a corrigir desvios antes do fecho das contas com recomendações.
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