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EXPANSÃO - Página Inicial

Grande Entrevista

"A morosidade dos processos em tribunal não se compadece com o tempo de vida da Recredit"

VALTER BARROS, PCA DA RECREDIT

O PCA da Recredit fala dos desafios e resultados da recuperação da carteira do malparado do BPC. O total da exposição da carteira são 1,24 biliões Kz, valor que o banco público já assumiu como perdido, mas só foram recuperados 37 mil milhões. Gestor diz que se recuperar acima do dinheiro que o Estado deu à Recredit para meter no BPC já é lucro.

A Recredit tem até 2029 para recuperar duas carteiras de crédito malparado do BPC no valor de quase 1,2 biliões Kz. Antes da sua chegada ao "banco mau" do BPC ainda não tinha sido recuperado nada, mas até ao primeiro semestre de 2021 foram recuperados 7,8 mil milhões Kz e os números continuam a subir. Como encontrou a Recredit quais os desafios e como evoluíram os resultados até a data presente?

Entrei para a Recredit em Novembro de 2019. Como encontrei a Recredit? É uma empresa relativamente pequena, mas encontrava-se num processo de organização estrutural. A actividade e missão desta empresa é a recuperação de crédito malparado. Na ocasião, a Recredit tinha adquirido ao BPC uma carteira de crédito que continha seis grupos empresariais. Já tinha firmado acordo de reconhecimento de divida com quatro destes grupos empresariais. Mas a actividade de recuperação no verdadeiro sentido da palavra ainda não tinha começado. E como disse a missão da empresa é a recuperação do crédito malparado.

Quais eram estes grupos empresariais com os quais a Recredit já havia firmado acordos de reconhecimento de divida e quais os dois que não haviam assinado o referido acordo?

Eu reservo-me a não citar os nomes dos clientes devido ao sigilo bancário. Os clientes tinham um acordo com o BPC e nós substituímo-nos ao BPC neste acordo e por isso herdámos as regras de sigilo bancário a que o BPC está obrigado neste acordo, daí eu, não poder citar o nome dos clientes. A primeira carteira foi adquirida pelo valor global dos créditos e em 2020 a Recredit adquiriu uma segunda carteira de crédito ao BPC avaliada em 951 mil milhões Kz, mas pagou apenas 57 mil milhões Kz .

Como pensa recuperar estes valores das duas carteiras já que grande parte será dívida incobrável?

A partir do momento que eu entrei eu disse aos colegas que aqui encontrei que tínhamos que mudar o nosso mindset. Estávamos numa outra fase de organização da empresa. O nosso foco agora tem de estar centrado na recuperação de crédito malparado. Foi com a mesma equipa que encontrei aqui, não fizemos substituição de pessoas. Disse-lhes que por muito boas coisas que a gente faça a avaliação final é por aquilo que nós recuperamos. Foi a mensagem que eu passei aos meus colegas e acho que todos entenderam. Nós temos de nos focar na recuperação de crédito malparado.

Mas em 2020 começaram a surgir os resultados. Certo?

Fizemos algumas restruturações internas, criámos as equipas de recuperação de facto, dividimos a carteira de clientes pelas equipas de recuperação e em 2020 iniciou-se o processo de recuperação. Tivemos uma recuperação de cerca de 4,87 mil milhões Kz dos objectivos firmados para o ano de 2020 e tínhamos um objectivo para 2020 de cerca de 12,5 mil milhões. Ficámos abaixo de 50% da meta de recuperação do ano.

É um desafio grande...

Mas para nós foi um reconhecimento de que é possível. Porque em 2020 tivemos o início da pandemia. As nossas equipas reconheceram que com mais esforço era possível avançarmos na recuperação. Em 2021, ainda com a pandemia a decorrer, as nossas equipas empreenderam um esforço maior na actividade de recuperação e fixámos um objectivo de 19,8 mil milhões Kz e no final do ano atingimos 21,8 mil milhões Kz. Portanto, ultrapassámos o objectivo fixado.

Qual o objectivo de recuperação de malparado para este ano?

O objectivo para 2022 são 26,34 mil milhões Kz. Neste momento estamos com uma recuperação de 10,31 mil milhões até 30 de Maio e acreditamos que alcançaremos o objectivo do ano no final do ano. Ainda assim são números muito distantes do valor global das carteiras. Eu aqui tenho de chamar a atenção para um facto. Nós adquirimos duas carteiras de crédito que perfazem uma exposição de 1,24 biliões Kz. Mas é importante referir que a segunda carteira, que é a maior com 950 mil milhões Kz, nós pagamos 57 mil milhões. No nosso negócio é muito importante atendermos-nos ao que nós pagamos e não ao valor total de exposição.

(Leia o artigo integral na edição 681 do Expansão, de sexta-feira, dia 01 de Julho de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)