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EXPANSÃO - Página Inicial

Grande Entrevista

"Devia-se transferir a organização do sector petrolífero para outros sectores"

EMBAIXADOR DA NORUEGA EM ANGOLA - KIKKAN MARSHALL HAUGEN

O embaixador da Noruega em Angola anuncia novos investimentos e fala dos desafios que o sector petrolífero tem pela frente. Também aponta soluções para reduzir a emissão de dióxido de carbono na produção actual e futura de petróleo e deste modo atrair mais investimentos para o sector que movimenta a economia angolana.

Angola tem um programa de privatizações em curso cuja primeira fase vai chegar ao fim no I semestre. Vem aí a privatização do BAI. Há alguma empresa norueguesa interessada na privatização deste ou outros activos do Estado?

Investir em economias em desenvolvimento não é fácil. Não é fácil investir em Angola. É desafiante. Um ponto interessante na conversa que tenho com os investidores do meu país é a diferença entre a facilidade de fazer negócios no sector de petróleo e gás e o resto da economia.

Pode explicar melhor?

O que oiço dos investidores noruegueses é que o sector de petróleo e gás é maduro, é previsível, é profissional, é desenvolvido. Sim há desafios, sim há ainda alguma burocracia, há alguma corrupção e às vezes interferência política, mas mesmo assim é fácil de investir se comparado com os outros sectores.

O que dizem os investidores do seu país que precisa ser feito para facilitar os seus investimentos em Angola?

Devia se transferir a organização do sector petrolífero para o sector não petrolífero. O que oiço dos investidores noruegueses é que no não petrolífero há mais burocracia, menor previsibilidade, há menos actores profissionais, há menos financiamento e há provavelmente mais corrupção. Continua a não ser fácil investir fora do sector petrolífero. Pelo menos é o que dizem os investidores. Transferir o profissionalismo existente no sector petrolífero para as outras áreas será benéfico para Angola.

A Noruega tem um portefólio de investimentos bem diversificado, mas o maior volume de negócios e investimentos da Noruega é da Equinor?

A maior empresa e que realmente lidera o volume de negócios entre Angola e Noruega para o intervalo entre 2 e 3 mil milhões USD por ano é a Equinor, que anteriormente se chamou Statoil. É a maior empresa de petróleo e gás norueguesa e é o equivalente à Sonangol já que o estado norueguês é o accionista maioritário da Equinor, que está em Angola há décadas.

A Equinor é um dos parceiros do bloco 17 que onde se produz 30% do petróleo de Angola..

Certo. Celebramos o 30.º aniversário da Equinor em Angola em Novembro do ano passado. E posso dizer que a Equinor está aqui para ficar. A empresa, embora não seja operador de nenhum bloco, é responsável pelo equivalente a 10% da produção de petróleo em Angola.

Lembro-me que em 1996 foi descoberto o bloco 17 que hoje responde por 30% da produção angolana e a Equinor sempre foi um importante parceiro. Acredita que o sector dos petróleos pode vir novamente a salvar Angola?

A Equinor é importante para Angola e Angola é importante para a Equinor, a produção de petróleo que a Equinor é responsável em Angola é de longe um dos maiores volumes de produção no exterior e é de longe a maior produção que eles têm no continente africano.

Mas mesmo assim mantém-se como não operador de blocos para Angola?

E o meu entendimento da Equinor é que a empresa quer ter um compromisso e perspectiva de longo prazo com Angola. E investimentos de longo prazo em Angola. Isto é algo que foi claramente dito quando a empresa celebrou o seu trigésimo aniversário em Angola.

Embora a Equinor assuma que mantém a sua estratégia de não operador para Angola.

Pois. É isto que defende a empresa.

Mas o sector petrolífero pode repetir a proeza da década de 1990 quando descobriram os blocos 15 e 17?

Penso que foi um ponto importante apresentado durante a conferência Angola Oil and Gas no ano passado, quando no painel que abordou o futuro da indústria de petróleo e gás em Angola. E houve várias contribuições relevantes, uma delas foi do Paul McCafferty, vice-presidente da Equinor, que assinalou os desafios da indústria petrolífera mundial e em Angola.

E quais são estes desafios?

Mesmo que Angola encontre novos campos petrolíferos para desenvolver, o sector de petróleo e gás não terá um futuro fácil. Os fósseis hoje representam aproximadamente 80% do mix energético no mundo. As melhores previsões que vemos hoje dizem que em 2050 os fósseis vão constituir 50% do mix energético no mundo.

(Leia o artigo integral na edição 664 do Expansão, de sexta-feira, dia 4 de Março de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)