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EXPANSÃO - Página Inicial

África

Governo moçambicano vai subsidiar transportes para aliviar subida do combustível

DEPOIS DA PARALISAÇÃO DOS SERVIÇOS

As autoridades moçambicanas já mobilizaram 50 milhões USD para este fim. Agora, vai começar registar a actividade dos "chapeiros" (taxistas colectivos informais), que é fundamental para a garantia deste apoio.

Os transportes colectivos em Moçambique vão ser subsidiados, incluídos os transportes colectivos informais, anunciou o Ministério dos Transportes e Comunicação do país do Índico no início desta semana. Depois de, na semana passada, 4 de Julho, os transportadores colectivos urbanos informais paralisarem os serviços por causa da subida do preço dos combustíveis.

Na mesma semana, Maputo, capital moçambicana, quase parou com a suspensão dos serviços dos chamados "chapas", provocando assim longas filas e confusão em muitas zonas da cidade, de acordo com a agência de notícias Lusa. Uma semana depois, o governo reagiu com compensações e subsídios de transportes sem discriminar nenhum dos transportadores. Para isso, as autoridades já conseguiram mobilizar 50 milhões USD. "Não vamos discriminar nenhum transportador, seja ele formal ou informal. Todos têm direitos", declarou Ambrósio Sitoe, porta-voz do Ministério dos Transportes e Comunicações, citado pela Rádio Moçambique.

Com os preços dos combustíveis a subirem, o impacto no aumento de custo de vida da população é directo, assim como no sector produtivo e de serviços. Deste modo, para abrandar a situação, o governo serve-se das compensações para aliviar o choque. Segue-se agora o desafio de o Executivo moçambicano registar a actividade dos "chapeiros", que é fundamental para a garantia deste apoio, pois grande parte destes prestadores de serviços à população não estão regularizados.

Por outro lado, o governo garante que vai acelerar a legalização dos transportadores "informais" que estão no sector, uma medida para evitar que alguns "chapeiros" sejam excluídos do processo de atribuição dos subsídios, escreve a Lusa.

Assim como em quase todo o mundo, os moçambicanos sofrem com a subida dos combustíveis e a inflação generalizada dos preços provocada pela situação de guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Para se ter uma ideia, as últimas actualizações da Autoridade Reguladora de Energia (Arene) de Moçambique, que vigoram desde 9 de Julho, levaram à subida em todos os principais produtos derivados de petróleo. A gasolina subiu do equivalente a 536 Kz por litro para 562 Kz e o gasóleo passou do equivalente a 510 Kz para 571 Kz por litro. Já o gás de cozinha subiu perto de 20%.

Recorde-se que Fundo Monetário Internacional (FMI) regressou a Moçambique para assinar um acordo de 470 milhões USD. Os 470 milhões deste novo acordo serão desembolsados pelo FMI para a aplicação de um Programa de Financiamento Ampliado, à semelhança da operação em Angola, que vai até 2025, com objectivo de apoiar o país a garantir a sustentabilidade, o crescimento inclusivo e a estabilidade macro-económica no longo prazo. Espera-se, assim, um período de austeridade no país.