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EUA fecham acordos de 56 mil milhões com países asiáticos

CONFLITO NO IRÃO POTENCIA NEGÓCIOS

Vários países asiáticos dependem fortemente das importações de energia e estão a prometer milhares de milhões de dólares em compras de energia aos EUA, depois de Donald Trump ter acendido o rastilho da guerra no Médio Oriente. Ataque ao Irão tinha uma agenda milionária escondida?

Numa altura em que o Médio Oriente está a "arder" devido ao conflito provocado por Israel e EUA com o Irão, o Governo de Donald Trump anunciou que várias empresas norte-americanas fecharam acordos energéticos com países asiáticos no valor de 56 mil milhões USD. Tratam-se de acordos em sectores como o gás e carvão e infraestruturas energéticas, impulsionados por preocupações com segurança e pressão dos EUA para os seus parceiros "fugirem" do fornecimento energético do Médio Oriente.

Os compromissos foram assumidos e anunciados pelo Secretário de Estado do Interior e presidente do Conselho Nacional de Domínio Energético dos EUA, Doug Burgum, após o Fórum de Segurança Energética do Indo-Pacífico, realizado em Tóquio no final da semana passada.

"O Fórum Ministerial e Empresarial de Segurança Energética do Indo-Pacífico catalisou mais de 56 mil milhões USD em compromissos do sector privado que criarão empregos bem remunerados nos Estados Unidos e garantirão cadeias de suprimento de energia essenciais.

Os investimentos transformadores em projectos americanos apoiam a agenda mais ampla do presidente Donald J. Trump para a dominância energética", refere um comunicado publicado no site do Departamento do Interior dos EUA, citando Doug Burgum.

Esta declaração evidencia um já habitual optimismo desta administração norte-americana (muitas vezes distante da realidade) com um eventual avanço da agenda de domínio energético do presidente Trump. No entanto, ainda está por se perceber se estes acordos representam, ou não, uma mudança real de foco do Médio Oriente para os EUA por parte de alguns dos países asiáticos mais afectados pelo encerramento do Estreito de Ormuz, até porque alguns destes acordos ainda demorarão vários anos a concretizar-se.

Ao todo são 20 os acordos assinados entre empresas norte -americanas, com empresas asiáticas, sobretudo japonesas e sul-coreanas, em que algumas delas depois também actuam noutros países como a Índia, Vietname ou Tailândia. Para a expansão do Gás Natural Liquefeito (GNL) estão previstos 3 acordos, com destaque para um acordo de exportação para os países do Indo-Pacífico que pressupõe um investimento de 8,6 mil milhões USD para um projecto de terminal de gás que está a ser desenvolvido no estado do Louisiana, a cargo da empresa Venture Global.

Trata-se de um dos maiores investimentos em infraestruturas energéticas da história dos EUA, cujo investimento já ronda os 20,7 mil milhões USD. Destaque ainda para um outro acordo neste sector, avaliado em 10 mil milhões USD, que pressupõe a venda de gás durante 20 anos por parte da Venture Global à sul-coreana Hanwha Aerospace.

Dentro dos acordos relacionados com a energia nuclear, um total de 6 acordos, o Exlm Bank aprovou duas cartas de interesse no valor total de 5 mil milhões de dólares para a General Matter, uma empresa norte-americana de combustível nuclear que está a desenvolver capacidade nacional de enriquecimento de urânio para produzir urânio pouco enriquecido e urânio pouco enriquecido de alta concentração para reactores avançados destinados a empresas de serviços públicos japonesas e sul-coreanas.

Já em relação a compromissos que o Departamento do Interior dos EUA cataloga como "O ressurgimento da energia do "grandde e belo carvão" americano" estão contemplados 9 acordos, que vão desde o fornecimento por parte da sul-coreana Hyundai Heavy Industries Power Systems de caldeiras para uma central a carvão de grande escala, da norte-americana Terra Energy Center projecto que, por sua vez, terá o investimento de 500 milhões USD por parte de um fundo de capital de risco da Coreia do Sul.

Por fim, foram contemplados também 3 acordos relacionados com tecnologias na área dos combustíveis, As nações asiáticas estavam ansiosas para fechar acordos energéticos com os EUA, disse o chefe da Agência de Protecção Ambiental dos EUA, Lee Zeldin, à Bloomberg, acrescentando que estas nações procuram diversificar as suas economias, reduzindo a dependência do Médio Oriente.

Mas ainda é cedo para aferir quais serão os ganhos potencia dos por estes acordos. A Ásia é o principal destino do petróleo e gás do Médio Oriente, e o encerramento do Estreito de Ormuz tem afectado duramente esse mercado, uma vez que os países produtores de petróleo naquela região foram forçados a reduzir drasticamente a produção devido à falta de capacidade de armazenamento, o que deverá prolongar a crise da oferta por um período mais longo.

Certo, é que o anúncio destes acordos surge numa altura em que os EUA procuram dar dinamismo à agenda de domínio energético do presidente Trump, depois de ter praticamente forçado (através da pressão das tarifas) alguns dos seus parceiros a comprar mais commodities em território norte-americano. A pressão terá permitido agora estas promessas de milhares de milhões de dólares em contratos.

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