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Mundo

Suspensão do Nord Stream 2 e a ameaça de restrições à conversão de rublos em moedas ocidentais pairam sobre Moscovo

O papel da Alemanha na tensão entre os Estados Unidos e a Rússia

Os Estados Unidos pressionam a Alemanha para bloquear o gasoduto russo Nord Stream 2 como parte do pacote de sanções económicas que Washington quer impor a Moscovo no caso de haver uma invasão da Ucrânia. Ou seja, Biden segue as pisadas de Trump, mesmo que a relação com o presidente russo seja outra.

O gasoduto russo Nord Stream 2, que sempre foi uma for de cabeça para os países ocidentais e que tem tido dificuldades em passar na malha regulatória apertada de Bruxelas, e ainda mais para os Estados Unidos, é agora uma contrapartida e uma tentativa para dissuadir Vladimir Putin da ideia de invadir a Ucrânia.

Berlim pedirá a Bruxelas para suspender o gasoduto. Biden terá convencido Angela Merkel, nos seus derradeiros dias como chanceler alemã, a incluir o Nord Stream 2 num pacote e sanções económicas a aplicar se a soberania da Ucrânia, aliado dos Estados Unidos e do bloco europeu, for posta em causa pela Rússia, com uma invasão militar. Há anos e anos que o Kremlin argumenta que os ucranianos são tão russos como os russos, um argumento com algum sedimento histórico mas democraticamente incomportável, porque não é essa a vontade dos ucranianos, ainda que Putin tente a tudo o custo remediar aquilo que ele considera o maior erro histórico do século XX, a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

E a questão foi abordada na conversa por videoconferência de mais de duas horas entre os dois presidentes, um em Washington e outro em Sochi.

A ameaça da suspensão do Nord Stream 2, que está praticamente concluído mas que ainda não bombeia gás, faz parte de um pacote de sanções financeiras mais extenso, que inclui bloquear a conversão de rublos em dólares e sancionar ainda mais as actividades dos oligarcas russos.

Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional de Biden, que ouviu a conversa, adiantou aos media que "se Vladimir Putin quiser ver o fluxo de gás por aquele gasoduto, não vai correr o risco de invadir a Ucrânia". E confirmou intensas conversações com o Governo alemão nesse sentido, tanto com o anterior como com o actual dirigido por Olaf Scholz.

Um diplomata europeu, em Washington, confirmou que as conversas com Berlim, adiantando que "em última análise, podemos sugerir que o Nord Stream 2 é incomportável com a invasão da Ucrânia"

As autoridades norte-americanas devem viajar para a Alemanha assim que o novo governo do país, liderado pelo chanceler Olaf Scholz, entrar em funções.

"Nord Stream 2 é um elefante na sala", partilhou um funcionário norte-americano com a imprensa, "e tem sempre grande importância em qualquer assunto relacionado com a Rússia, Alemanha e Ucrânia".

Victoria Nuland, membro sénio do Departamento de Estado dos Estados Unidos, disse que a Alemanha está pronta para participar de acções significativas contra a Rússia se Putin invadir a Ucrânia.

O Kremlin, entretanto, divulgou que a ligação entre Putin e Biden foi "franca" e "profissional". Putin disse a Biden que a crise ucraniana foi causada pelo "comportamento destrutivo" de Kiev e pelo que descreve como "tentativas perigosas da NATO de se apoderar do território ucraniano e aumentar seu potencial militar" na fronteira com a Rússia.

E confirma-se o que temos vindo a escrever, que o Kremlin quer garantias que a NATO não se expanda para a Leste ou que venha a colocar armas e outros sistemas bélicos em países vizinhos da Rússia.

Em 2014, Putin negou que os soldados sem insígnia que se apoderaram da península da Crimeia da Ucrânia fossem forças especiais russas e continua a insistir que Moscovo não está envolvida na guerra separatista no leste do país - apesar das evidências o contrariarem.

Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, em conversas com os embaixadores afirmou que os países do bloco europeu "responderiam adequadamente a quaisquer novas agressões" e tomariam "medidas restritivas adicionais" além das sanções económicas em caso de invasão. E as sanções da União Europeia, essencialmente económicas, vão no sentido de atingir a economia e o sistema financeiro da Rússia. As restrições à conversão de rublos em moedas ocidentais tornariam a venda das exportações de petróleo russo "muito mais difícil".