Distribuir a luz
Se o poder fosse mais espartilhado por outras instituições, que se a distribuição da luz fosse mais equilibrada entre os diversos órgãos, possivelmente teríamos um maior equilíbrio social e económico, que acredito, contribuiria para um maior desenvolvimento do País.
Este período que antecede as eleições tem características próprias, uma vez que os grupos económicos que recolhem maiores simpatias por parte de quem gere o País, apoiados por "satélites bem colocados", avançam para consolidar exponencialmente os seus negócios, para ganhar posição em outras empresas estratégicas, com o objectivo final de criar uma base que lhes permita suportar alguma tempestade que possa surgir depois do III trimestre de 2027. Foi assim no passado e também está agora a acontecer.
As movimentações já se sentem, e embora seja preciso dizer que por agora existe maior informação, o que permite maior controlo, é preciso apelar a algum bom senso e cumprimento escrupuloso das leis, para que depois não se assista ao espectáculo degradante das nacionalizações, das apreensões, dos processos judiciais, que podendo ser justos, e por isso de execução obrigatória, deixam uma imagem muito má do País. De nós todos enquanto cidadãos angolanos.
Nestas coisas não há nada como uma política preventiva, bom senso, domínio da ambição, solidariedade e, acima de tudo, espírito patriótico. Sempre me questionei porque é que alguém ou alguma organização que tendo centenas de milhões de dólares guardados no seu património, ainda corre o risco de ultrapassar a lei para ficar com mais milhões. Não percebendo que a partir de um determinado nível, o facto de a riqueza estar distribuída por mais gente, também os beneficia. Normalmente não acaba bem e, por isso, todos esperamos que as lições do passado sirvam para projectar o futuro.
Explicaram-me um dia que é o dinheiro que faz o poder em Angola e que, nesta lógica, não existe uma fasquia mínima. As motivações e a hierarquia contabilizam-se com cifrões e não com palavras. Como também a nossa Constituição entrega o poder máximo (quase total) a quem corta a linha em primeiro lugar, concentra legalmente todo o brilho da luz num local apenas, a luta por esta cadeira é muito mais feroz.
Aliás, sugiro já há algum tempo que se o poder fosse mais espartilhado por outras instituições, que se a distribuição da luz fosse mais equilibrada entre os diversos órgãos, possivelmente teríamos um maior equilíbrio social e económico, que acredito, contribuiria para um maior desenvolvimento do País. E possivelmente esta corrida pelo pote de ouro seria mais disciplinada, porque, dentro daquela velha máxima que os meios justificam os fins, haveria menos legitimidade para todas estas movimentações.
Mas, no limite, tudo isto depende sempre dos homens. Dos valores. Do tipo de pessoas que se envolvem nesta caminhada. Uma das questões que muito se tem falado nos últimos anos é que é necessário privilegiar a meritocracia na administração pública e na gestão de pessoal dentro das empresas. Pois, também é necessário proteger a meritocracia na economia. Os mais capazes, os mais empreendedores, também devem ser aqueles que têm acesso aos melhores negócios. Isso não deve ser decidido com condições prévias, políticas, familiares ou outras, como infelizmente assistimos diariamente.
Não esquecer que a nossa economia tem uma componente estatal muito forte, o que leva a que seja a classe política a decidir muitas vezes questões que deviam ser entregues ao mercado. Mas o País continua sem avançar nessa direcção e, por isso, temos de confiar no bom senso de quem está na governação. Vamos lá ter algum juízo, que há mais vida para além de Agosto de 2027...














