Formação e capital humano - Fórum Angola-Portugal
No passado dia 23 de Junho, decorreu no Hotel Epic Sana o Fórum Empresarial Angola- -Portugal, sob o tema Juntos na Diversificação da Economia. Este evento foi, sem sombra de dúvida, de enorme sucesso, sendo de aplaudir a iniciativa e organização da AICEP Portugal Global, Embaixada de Portugal em Luanda e Ministério da Economia da República de Angola.
Foram intervenientes, durante o dia, ilustres ministros e representantes do Governo da República de Angola, bem como o ministro da Economia da República Portuguesa, entre outras honrosas participações de governadores provinciais e membros da sociedade civil angolana, portugueses e angolanos, e tive a honra de moderar um painel que, do meu ponto de vista, é fundamental para a discussão do dia - Formação e Capital Humano. Acima de tudo, foi um dia como devem ser todos. Um dia de união entre dois países que têm uma típica relação de irmãos. Foi muito importante para o momento que os dois países atravessam ver políticos, empresários e profissionais partilharem ideias, negócios e o desenvolvimento de ambas as nações.
Em todas as intervenções, foi destacado o capital humano. Não foi surpresa para ninguém, obviamente. No entanto, é bom ver que, em momentos de crise, as pessoas são o que podem fazer a diferença. E aqui, mais uma vez, destacou-se a forte aposta na angolanização dos quadros das empresas. É sem dúvida fundamental um forte investimento na formação dos quadros angolanos e responsabilizar os quadros portugueses na sua formação. Todavia, é igualmente importante apostar na qualidade de ensino, desde o básico ao médio.
Aqui reside o fundamental para termos quadros preparados para os desafios do ensino superior e, posteriormente, para o mercado profissional. Temos assistido ao longo dos últimos anos, e pela minha experiência são já quase sete em Angola e em três empresas diferentes, a uma melhoria excepcional da formação e, consequentemente, dos profissionais que entram no mercado. Mas ainda é preciso fazer mais. E aqui pode entrar um triângulo fundamental: empresas- -universidade-formação profissional.
As empresas têm a obrigação moral de ser mais interventivas no processo de formação dos indivíduos, ou com bolsas de mérito, ou com PPP nas escolas, realização de seminários, equipamentos, criação de centros de formação (e aqui um aplauso ao Centro de Formação da Mota-Engil, brilhantemente liderado pela directora de recursos humanos da empresa, Gladys Estêvão), entre outras possíveis iniciativas. Teria sido interessante ouvir nesse mesmo fórum o representante do Plano Nacional de Formação de Quadros, do Instituto do Fomento Empresarial... que não esteve presente, apesar de figurar no meu painel de oradores.
No entanto, não podemos esquecer-nos de que, após a saída da escola, é necessário adquirir experiência profissional de forma a estar preparado para os desafios do dia-a-dia. E aqui, mais uma vez, os portugueses (apenas falo nesta nacionalidade estrangeira, devido ao tema do artigo) têm um papel importante.
Pela língua, pelo conhecimento, pela cultura e pela fácil adaptabilidade a Angola. Naturalmente, a perfeição não existe. No entanto, sem dúvida que a relação profissional angolano-português é fantástica e goza de boa saúde. A simbiose entre ambos os profissionais vai ao ponto de construírem equipas de qualidade única, que têm levado empresas de grande dimensão ao sucesso neste país. E é neste ponto que devemos focar-nos.
Quando se discute a diversificação da economia entre ambos os países, temos, forçosamente, de discutir uma maior dinâmica de fluxo de profissionais de um país para o outro. E aqui temos todos muito a fazer. Portugal precisa de quadros angolanos, e Angola precisa de quadros portugueses. Com apenas uma restrição: Talento.
Esses profissionais, seja de que nacionalidade forem, têm de ter talento. E vontade. Vontade de serem cada vez melhores e serem, de facto, mais-valias nos contextos em que estão inseridos. É aqui que, em Angola, o processo de angolanização deve ser interventivo. Ou seja, os portugueses são bem-vindos ao País, mas têm de trazer competências, qualificações e experiência. Têm de fazer a diferença. Aí deve haver um claro rastreio e filtro da importação de quadros. Mas também não deve haver impedimentos, se estes mesmos quadros apresentarem o que referi anteriormente. Igual para Portugal, em relação a quadros angolanos. É assim que deve ser.
Uma relação de igual para igual, com vista ao crescimento e apoio mútuo entre as duas nações do meu coração. Muito já foi feito. Mas muito há a fazer, e é papel de todos contribuir para esse sucesso. Luís Moura, da AICEP, com este fórum deu um importante pontapé-de-saída (recorrendo à gíria futebolística). Agora caberá a todos os intervenientes de ambos os países, no qual eu humildemente me incluo, trabalhar nesse sentido.
Eu já comecei... E vocês?
José Rodrigues, Regional HR director Western Africa - DHL Global Forwarding/PLD Harvard Business School













