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"O meu negócio é contribuir para a educação das crianças do meu País"

SÓNIA ANTÓNIO

Acredita ser necessário desenvolver políticas públicas que colocam as crianças como prioridade. No mês dedicado aos mais pequenos, a apresentadora do Carrossel acredita que a criança só será o futuro se for instruída hoje.

O seu nome é indispensável quando se fala de programas televisivos infantis. Sonhava ser apresentadora de um programa infantil?

Não, era impossível sonhar com um programa de televisão, até aos meus sete anos nunca tinha visto uma televisão. Sou natural do Uíge, município de Negage e vivi lá até esta altura. A paixão pela televisão surge quando chego a Luanda, em 1990. Ver aquele aparelho que radiava uma luz que eu nem sequer conseguia ver, praticamente assistia televisão com as mãos nos olhos, ou seja, apenas ouvia. Mas consoante o tempo fui-me habituando ao aparelho e comecei a encantar-me por ele.

Como foi parar à Televisão Pública de Angola (TPA)?

A primeira ideia não foi ser apresentadora, estava encantada em ver na televisão as crianças que iam cantar. E também queria ir cantar e brincar na televisão e essa vontade é que me levou até lá, a vontade de participar num concurso de música e inscrever-me. Participei e perdi, mas a minha irreverência e alegria tinha sido contagiante e fez com que a equipa do Carrossel me convidasse a fazer parte da animação que existia naquela altura, Estrela Azul, um grupo de apoio ao programa e assim começa a minha história com a televisão. Na verdade, é a música que me leva para a TPA.

Vê-se a fazer outra coisa fora do mundo infantil?

Já pensei muitas vezes em deixar de fazer trabalhos ligados à criança, principalmente por muitas vezes achar que o trabalho não é reconhecido, e as pessoas que fazem trabalhos em prol das crianças às vezes são menosprezadas, são vistas como menos importantes, quando na realidade é ao contrário. Estamos a falar de algo específico, diferente e que exige maior cuidado. Fazer um programa para adultos é muito simples quando comparado com um programa infantil. Mas independentemente de fazer outras coisas, eu gosto de trabalhar com crianças e creio que será para sempre. É ao lado das crianças onde está a minha felicidade. Trabalhar com crianças é uma vocação.

Sente-se uma eterna criança?

Sinto-me uma eterna criança. Eu sou um adulto na terra do nunca, sou uma "Peter Pan", uma verdadeira criança e por dentro sou uma grande criança, e isso faz com que o meu trabalho seja perfeito.

Como profissional de televisão, acha suficiente o número de programas nos órgãos de comunicação social dedicados às crianças em Angola?

Estou mais contente agora, há um ano que as coisas melhoraram bastante, principalmente na televisão. Houve um aumento em termos de números de programas em televisão e rádio, agora tem-se dado maior atenção aos conteúdos infantis. Mas o que queremos não é apenas ter muitos programas, mas ter muita qualidade e serem prioritários nas redacções. Precisamos de mais, mas já estamos num bom caminho.

Quase 30 anos de Carrossel. Em termos de audiência, sente alguma diferença?

O Carrossel sempre foi e é o rosto das crianças. O Carrossel é o símbolo da programação infantil, em todos os tempos e épocas e é líder de audiência. É um programa que chama a atenção não só das crianças, mas dos adultos também. Estou muito contente de ver o programa no nível em que está e queremos fazer mais.

O programa continua sendo actual, face à nova realidade da sociedade? Ou acha que o programa deve inovar?

Em todas as versões o Carrossel foi sempre diferente e sempre teve essa característica de acompanhar as gerações diferentes. O Carrossel que está agora no ar é diferente, mas sempre com a mesma essência. É um programa alegre e divertido que põe a criança em primeiro lugar e põe a criança como o actor principal. O Carrossel é uma marca, é um programa que inova e acompanha gerações.

Há 28 anos que trabalha com crianças, que olhar tem sobre as crianças angolanas?

É muito tempo, isso fez-nos acompanhar crianças de vários status sociais, várias épocas. A criança angolana é inteligente, é criativa, sonhadora, mas é uma criança que precisa de muito mais. Infelizmente, nos últimos anos a criança não esteve no centro. Tivemos muitas coisas erra das que hoje já estamos a apagar, as crianças estão no centro da violência, do abuso sexual, porque muitas coisas foram desleixadas, o País priorizou muitas outras coisas e as crianças ficaram para atrás. Hoje estamos com sérios problemas. É necessário criar políticas que coloquem as crianças como prioridade.

(Leia o artigo integral na edição 680 do Expansão, de sexta-feira, dia 24 de Junho de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)