Cimeira global aposta no investimento para aliviar o peso da dívida africana
A nova plataforma, apresentada no Dubai esta semana, Global Investment Summit for Africa, e que terá a I edição ainda em 2026 em Luanda, pretende romper com o ciclo de dependência da ajuda externa e da dívida, promovendo uma transição para um modelo assente em investimento directo, produtivo e de longo prazo.
A criação da Global Investment Summit for Africa surge como uma tentativa clara de reposicionar o continente africano no mapa financeiro internacional, num momento em que muitos países africanos enfrentam níveis elevados de endividamento externo, com compromissos significativos junto de credores bilaterais e multilaterais como a China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, instituições internacionais (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Banco Africano de Desenvolvimento) e credores privados (fundos de investimento, bancos internacionais, detentores de Eurobonds africanos)
Nos últimos anos, o serviço da dívida tornou-se um dos principais constrangimentos macroeconómicos em África, absorvendo uma parte crescente das receitas fiscais, limitando o investimento público e reduzindo a margem de manobra orçamental dos Estados. Em vários casos, o recurso sistemático ao endividamento externo - muitas vezes associado a grandes projectos de infraestruturas - agravou a vulnerabilidade financeira, sobretudo num contexto de choques externos, subida das taxas de juro globais e volatilidade cambial.
É neste enquadramento que a Global Investment Summit for Africa se apresenta como uma plataforma estratégica de mobilização de capital, procurando transformar activos africanos - públicos e privados - em projectos financeiramente estruturados e atractivos para investidores institucionais internacionais. A lógica subjacente é clara: substituir dívida por investimento, reduzindo a pressão sobre as finanças públicas e criando bases mais sólidas para o crescimento económico.
A aposta recai sobretudo em parcerias público-privadas, capital privado, fundos soberanos e investidores institucionais, em detrimento de financiamentos concessionais tradicionais. A ambição é clara, atrair capital que partilhe risco, know-how e responsabilidade de gestão, em vez de aumentar o stock de dívida pública.
União Africana assume papel central
Um dos elementos distintivos da iniciativa é o protagonismo da União Africana, que assume o papel de garante político e institucional do processo. Ao liderar esta plataforma, a organização continental procura coordenar interesses nacionais, alinhar prioridades regionais e apresentar África como um espaço económico integrado, capaz de negociar em melhores condições com o capital global.
A liderança política do processo - impulsionada durante a presidência angolana da União Africana - reforça a ambição de criar um quadro continental de investimento, reduzindo a fragmentação entre países e aumentando a previsibilidade regulatória, um dos principais entraves apontados pelos investidores estrangeiros. Mais do que um evento pontual, a cimeira é apresentada como um mecanismo permanente de diálogo entre Estados africanos, investidores, bancos de desenvolvimento e sector privado internacional.
Neste contexto, a União Africana surge também como mediadora entre os países africanos e os grandes centros financeiros globais, procurando reposicionar a narrativa sobre África: de continente de risco elevado e dependente de ajuda, para destino de investimento estratégico, com potencial de retorno e impacto económico real.
(Leia o artigo integral na edição 862 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)











