Estados Unidos prorroga AGOA por mais um ano
Os Estados Unidos da América (EUA) renovaram o acordo de acesso preferencial ao mercado norte-americano a 30 países de África subsaariana por mais um ano. O acordo, que expirou no ano passado, inclui Angola na lista de países "privilegiados", que podem exportar pelo menos 7 mil produtos com isenção de taxas aduaneiras.
O anúncio da prorrogação da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA, na sigla em inglês), foi feito esta semana pelo representante comercial da Presidência dos EUA. O acordo, que inclui Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tem "efeitos retroactivos a 30 de Setembro de 2025", data em que tinha expirado, acrescentou Jamieson Greer, em comunicado. A 12 de Janeiro, a Câmara dos Representantes (câmara baixa do parlamento) dos Estados Unidos aprovou a continuidade da AGOA, por mais três anos, mas o Senado (câmara alta) reduziu a extensão apenas a um ano.
Na altura, o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, saudou "a aprovação esmagadora, pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, de uma extensão por três anos da AGOA". "Há mais de duas décadas que a AGOA tem sido um pilar das relações económicas entre os Estados Unidos e África, apoiando a industrialização, a criação de emprego, as cadeias de valor regionais e o crescimento inclusivo em todo o continente", afirmou Youssouf.
Desde que foi lançada, no início da década de 2000, apenas uma empresa angolana exportou para os Estados Unidos ao abrigo da AGOA. A exportação aconteceu em 2023 pela mão da empresa Foodcare, que enviou para terras americanas 23 toneladas de produtos diversos.
O baixo número de empresas angolanas a exportar para os EUA está relacionado com dificuldades que estas enfrentam, devido a exigências rigorosas de certificação de origem, normas de qualidade, falta de produção interna consistente e burocracia.
A Lei de Crescimento e Oportunidades para África, lançada em 2000 durante a presidência do democrata Bill Clinton, é a base das relações económicas entre os Estados Unidos e os países da África subsariana. O acordo permite aos países africanos exportar mais de 7.000 produtos para os Estados Unidos sem impostos, desde que cumpram uma série de condições, incluindo pluralismo político, respeito pelos direitos humanos e medidas anticorrupção.
A relação comercial entre Angola e os Estados Unidos registou um crescimento em 2024, impulsionada principalmente pelas exportações de petróleo. Neste período os Estados Unidos importaram 1.910 milhões USD de Angola, sobretudo petróleo, o que representa um aumento de quase 65%, face a 2023. Já Angola comprou aos EUA mercadorias no valor de cerca de 682 milhões USD, mais 14%, elevando o volume de trocas para perto de 2.592 milhões USD.
A relação económica entre Angola e os Estados Unidos ganhou dimensão com o Corredor Lobito. Em Dezembro foi assinado um acordo de financiamento de 753 milhões USD, entre a Lobito Atlantic Railway (LAR), a US International Development Finance Corporation (DFC) e o Development Bank of Southern África (DBSA). O financiamento apoiará a reabilitação e a operação do porto mineiro existente no Lobito, bem como de uma linha ferroviária existente com aproximadamente 1.300 quilómetros, que liga o porto do Lobito a Luau.











