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Empresas & Mercados

BCI aumenta capital na ordem dos 15 mil milhões Kz

EM CAUSA PLANO DE REESTRUTURAÇÃO

Em comunicado, o banco detido pelo Grupo Carrinho garante que cumpriu as exigências de reforço de capital, dentro dos prazos impostos pelo BNA.

O Banco de Comércio e Indústria (BCI) deu a conhecer, em comunicado, que apresentou ao Banco Nacional de Angola (BNA) o seu plano de reestruturação nos prazos impostos pelo banco central, cumprindo assim as exigências de recapitalização e ajustes nos rácios de fundos próprios impostos pelo regulador do sistema bancário. De acordo com o documento da instituição, o plano de restruturação entregue antes do final do ano passado, ao BNA, prevê um aumento de capital na ordem dos 15 mil milhões Kz.

Detido pelo grupo empresarial Carrinho, o BCI estava obrigado a apresentar ao banco central um programa de recapitalização e reestruturação, como forma de o banco adequar os seus fundos próprios regulamentares e rácio de fundos próprios, que estavam desajustados às regras do mercado. Estas medidas surgem do facto de, após uma supervisão às contas do BCI, o BNA ter concluído haver insuficiências nalguns rácios prudenciais da referida entidade, tendo obrigado à aplicação de "Medidas de Intervenção Correctiva".

Apesar de ter concluído com a aplicação das medidas impostas pelo BNA, o banco ainda não tem fechado o processo de reestruturação, que, entre outros, encerra um amplo processo de redimensionamento que já se faz sentir na prática. "Actualmente, o investimento em necessidades da CAPEX (custos necessários para manter e expandir as operações), já rondam em 5 mil milhões, o que totaliza 36 mil milhões de investimento até ao momento por parte dos accio[1]nistas", lê-se no comunicado do Banco de Comércio e Indústria

Fecho de agências e corte de postos de trabalho

Após passar para o controlo do Grupo Carrinho, a administração do ex-banco estatal BCI iniciou um amplo processo de redimensionamento, que passa desde a diminuição da sua rede balcões até ao corte no número de colaboradores. Até ao final de 2022 o banco fechou 23 agências, e mandou para casa um total de 300 trabalhadores. Na altura, o BCI estava a trabalhar com um total de 950 profissionais, segundo a direcção de Marketing, um número que pode alterar já que, como apurou o Expansão, continuam a sair do banco colaboradores em comum acordo com o banco.

Ainda assim, continua a haver, paralelamente a todo o processo de reestruturação do BCI, um grupo de ex-colaboradores descontentes, que não concorda com a saída do banco. Ao Expansão, a direcção de Marketing garante que todas as movimentações foram feitas nos marcos da legislação laboral e fazem parte do programa de redimensionamento da instituição que já não é propriedade estatal, mas privada.

Até 30 de Setembro de 2022, o banco encerrou com resultados líquidos negativos de 10 mil milhões Kz, quando já vinha de um prejuízo, em igual período de 2021, de 2,3 mil milhões de Kwanzas.