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Oferta Pública de Subscrição da ACREP esbarrou na falta de interesse de investidores

PRIMEIRA EMPRESA A TENTAR FINANCIAR-SE VIA BOLSA

A ACREP previa captar 45,1 mil milhões Kz mas a falta de interesse ditou o fiasco da operação. Por sua vez, o BPC vendeu apenas 72.121 das 300.000 acções que detém na petrolífera de origem nacional.

Não correu bem a ida à bolsa da ACREP, companhia angolana do sector da extracção de petróleo e gás. Os investidores ficaram com apenas 72.121 das 300.000 acções que o Banco Poupança e Crédito (BPC) detém na petrolífera, e que foi alvo de uma Oferta Pública de Venda que decorreu na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) entre 19 de Fevereiro e 15 de Março, enquanto as 600.890 acções que a companhia colocou através de Oferta Pública de Subscrição (OPS) não teve qualquer procura.

No entanto, as acções do BPC que foram dispersadas ao preço mínimo de 75.000 kwanzas por acção, tornaram a ACREP na terceira empresa a dispersar capital em bolsa em Angola

A venda destas 72.121 acções renderam ao maior banco público 5,4 mil milhões Kz, muito abaixo das expectativas já que a instituição bancária esperava encaixar pelo menos 22,5 mil milhões Kz. Contas feitas, o BPC só arrecadou 24% do que perspectivou.

As 300 mil acções detidas pelo BPC na ACREP correspondem a 16,63% do capital social da petrolífera, e já estavam previstas no leque de empresas/activos identificados a privatizar no período 2023-2026, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV). As acções foram alienadas por um preço unitário compreendido no intervalo entre 75.000 Kz e 91.500 Kz, no entanto, de acordo com a BODIVA, o preço médio das ordens recebidas ficou em 87.045 Kz. Para adquirir as acções participaram 447 investidores, dos quais 421 correspondeu ao público em geral e 26 aos trabalhadores da petrolífera.

Não houve interesse na Oferta Pública de Subscrição

Mas não foram só as vendas de acções que não correram de acordo com as expectativas da petrolífera fundada em 2003 por Carlos Amaral e que até à realização da dispersão em bolsa tinha a seguinte estrutura accionista: a Monlarama et All Serviços (49,90%), Carlos Amaral (25,15%), BPC (16,63%) e Fénix Seguros (8,32%). Isto porque a petrolífera emitiu 600.890 acções através de uma Oferta Pública de Subscrição (OPS), cujos títulos são emitidos pela primeira vez com objectivo de financiar a empresa com a entrada de novos accionistas, dirigida ao público em geral e aos trabalhadores. No entanto, segundo o site da BODIVA, não se registou qualquer procura, o que significa que até ao momento ninguém manifestou interesse de comprar acções por essa via.

Com a emissão de novas acções via OPS, que representam 24,99% do capital da empresa, a petrolífera esperava aumentar o seu capital em pelo menos 45,1 mil milhões Kz.

Dividendos até 30% dos resultados líquidos

A ACREP espera pagar um dividendo de até 30% dos resultados líquidos distribuídos apurados. Até ao primeiro semestre do ano passa[1]do a operadora distribuiu 6,1 milhões USD enquanto em 2022 distribuiu cerca de 5,6 milhões USD, tendo o payout ratio (lucros pagos aos accionistas) oscilado entre 32,5% e 40% nos últimos dois anos.

Até ao primeiro semestre de 2023, a petrolífera que ganhou o estatuto de terceira operadora angolana tinha um activo avaliado em 118,8 milhões USD. Já o passivo ronda os 57,3 milhões, enquanto o capital próprio os 61,5 milhões USD. No período em análise o volume de negócios da petrolífera ascendia aos 20,1 milhões, tendo registado lucros na ordem dos 20,1 milhões USD.

Com a realização desta operação, a ACREP tornou-se na terceira empresa cotada no mercado de bolsa de acções, onde já lá estão os bancos Angolano de Investimentos (BAI) e o Caixa Angola. O BAI foi a primeira empresa, pós-independência, a alterar os seus estatutos para sociedade aberta, através de um OPV, que culminou com a admissão à negociação das acções do BAI, no dia 9 de Junho de 2022. Já o Caixa Angola foi a segunda empresa a entrar para a bolsa angolana, a 5 de Setembro de 2022, na sequência da saída da Sonangol do capital social do banco. A petrolífera estatal alienou a participação de 25% que tinha no banco.