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Gestão

Para além dos benefícios: a importância do salário

CAPITAL HUMANO

O que mais importa, no final do mês, é o salário. Atenção que não descuro a importância de como o desenvolvimento da carreira pode oferecer oportunidades, satisfação e realização profissional e pessoal, para além de que os benefícios garantidos pelas empresas aos trabalhadores são fundamentais para a retenção de talento...

Quando ingressei no mercado de trabalho "à séria", após terminar a minha licenciatura, a crise financeira de 2008 ainda não tinha chegado e as empresas a que me candidatei e em que estive em diversos processos de recrutamento colocavam um ênfase significativo no desenvolvimento pessoal, na possibilidade de carreira, na cultura da empresa, nos processos de avaliação de desempenho, nas bolachinhas no escritório, nas viagens, dias de férias, entre outros. Estes eram, sem dúvida, os aspectos mais referidos nas entrevistas de emprego, nas brochuras e nos websites das respectivas empresas. Havia muito ênfase no desenvolvimento da carreira e nos benefícios disponibilizados pelas empresas.

Nós, jovens licenciados ou prestes a licenciar-se, comparávamos empresas com base nos benefícios que cada uma apresentava e nas suas práticas de desenvolvimento da carreira e ainda em rankings de melhores empresas para trabalhar elaborados por uma qualquer organização. Éramos Millenniums ou Geração Y, como lhe queiram chamar, e crescemos numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade económica. A maioria tinha dinheiro no bolso fruto do esforço e trabalhos dos pais e muitos foram a primeira geração da família a ir para a Universidade. Por isso, não era o dinheiro que movia esta Geração. Trabalhar num escritório agradável, ter um bom ambiente de trabalho e possibilidades de carreira eram os factores mais valorizados.

Mas depois veio a realidade. Veio a crise de 2008, os bancos a falir, os despedimentos e o desemprego galopante. E veio a forte realidade que não é só a carreira e as bolachinhas no escritório que importam. Aliás, não são o mais importante na satisfação de um trabalhador. O que mais importa, no final do mês, é o salário. Atenção que não descuro a importância de como o desenvolvimento da carreira pode oferecer oportunidades, satisfação e realização profissional e pessoal, para além de que os benefícios garantidos pelas empresas aos seus trabalhadores são fundamentais para a retenção de talento, aumento da produtividade e melhoria do clima organizacional. No entanto, de que vale isto tudo se não há uma ênfase no salário? De que vale umas bolachinhas no escritório, uns "team buildings" e boas práticas de avaliação de desempenho, com um salário baixo e desadequado com as boas práticas do sector?

Muitas empresas descuram o salário como um dos mais importantes factores de motivação do trabalhador, se não o mais importante.

É fundamental que as empresas encontrem o equilíbrio ideal entre um bom salário e benefícios. Ter estratégias de retenção de talento com planos de carreira claros, benefícios flexíveis para os seus trabalhadores, aliados a bons salários e programas de reconhecimento financeiro. É necessário avaliar as necessidades individuais e as aspirações de cada um e conjugar com políticas de desenvolvimento e remuneração.

O desenvolvimento da carreira e as políticas de desenvolvimento de recursos humanos são importantes, mas apenas quando conjugados com um salário adequado e uma política de remuneração adequada e ajustada ao sector. Ambos os aspectos têm de ser considerados pelas empresas de forma estratégica para aumentar a satisfação dos funcionários e, por conseguinte, o desempenho organizacional e financeiro da empresa.

De que serve um team building e as bolachinhas no escritório se o salário não chega até final do mês?

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