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Grande Entrevista

"O dinheiro que entra na organização é idóneo. E fazemos auditorias que ajudam a saber a sua origem"

GILBERTO MAJOR SECRETÁRIO GERAL DA CRUZ VERMELHA ANGOLA

A captação de mais doadores e a recuperação da credibilidade da organização, que ficou abalada pela gestão de Isabel dos Santos, entre outras dificuldades, são actualmente os grandes desafios desta conhecida ONG internacional.

O GAFI (Grupo de Acção Financeira Internacional) alerta que Angola deve ter atenção às doações feitas às ONG"s devido ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Como fiscalizam a origem das doações recebidas pela Cruz Vermelha Angola?

Temos fiscalizado. Desde a nível internacional, onde a Confederação Internacional da Cruz Vermelha Crescente Vermelho tem um mecanismo próprio e uma lista, que não posso revelar, de alguns organismos e empresas que não podem fazer doações.

Esta lista inclui algum organismo ou empresa angolana?

Não. Mesmo se tivesse não iria dizer. Antes de aceitarmos as doações fazemos aquilo que se chama de due diligence para conhecermos e sabermos se o doador está dentro dos padrões aceitáveis. O controlo também é interno, porque neste caso concreto, em Angola, também há mobilização de financiamentos. O dinheiro que entra na Cruz Vermelha é idóneo. E temos também auditorias sobre estes financiamenos que ajudam a controlar como estão a ser usados.

Isso resolve tudo?

As pessoas podem ficar tranquilas quanto a isso. Temos aqui a presença da Federação e nos próximos dias podemos ter ainda a presença de outros membros da organização, como o Comité Internacional da Cruz Vermelha e outras sociedades nacionais, como a Cruz Vermelha da Itália. A família toda irá voltar a Angola porque há esta vontade. Nos últimos dois anos, já provamos que é possível trabalhar com a Cruz Vermelha de Angola.

Não havia esta confiança?

Havia confiança. Mas em algum momento foi reduzida. Houve um rompimento, tanto mais que a Federação saiu daqui, ficou ausente de Angola 10 anos, a pedido da Cruz Vermelha de Angola, que quis caminhar com os próprios pés. Mas estamos de novo juntos. A Cruz Vermelha é de Angola, para os angolanos. E são os angolanos que devem ajudar a sua sociedade a brilhar. Um monstro como este não pode passar por letargia. Temos que nos orgulhar da Cruz Vermelha.

Existem empresas angolanas que fazem doações à Cruz Vermelha?

Tivemos um período em particular que não foi bom. As empresas petrolíferas já apoiaram muito a Cruz Vermelha de Angola. E algumas diamantíferas. E estamos a fazer de tudo para voltarmos a ter estas doações. A Unitel também já nos apoiou muito.

Fora do campo humanitário, quem são os parceiros da Cruz Vermelha Angola?

O foco da Cruz Vermelha em todos os países onde é criada é apoiar os governos locais. A nossa especialidade é o trabalho humanitário. Podem realizar uma ou outra actividade diferente, mas são actividades que vão se atrelando. O objectivo principal das cruzes vermelhas dos países é humanitário. Existem outros parceiros humanitários, mas o primeiro é o Governo de cada país e as comunidades que estejam expostas aos fenómenos. E outras organizações humanitárias que existam no País, como as do sistema das Nações Unidas. Há ainda as locais como a ANASO. Todos estas, desde que estejam aliadas ao DNA da Cruz Vermelha, são bem-vindas enquanto parceiras da organização.

As embaixadas em Angola têm colaborado neste trabalho da Cruz Vermelha. São doadoras?

Temos contado com algumas embaixadas. Temos boas relações com estas entidades internacionais. Recebemos doações da embaixada da Turquia, Japão, Emirados Árabes Unidos e algumas embaixadas de países asiáticos.

Como é financiada a Cruz Vermelha Angola?

Na Cruz Vermelha Angola, uma parte vem do Ministério da Saúde e outra vem de sociedades internacionais, com apoio incondicional da Confederação Internacional da Cruz Vermelha Crescente Vermelho. É daí que vêm muitos dos nossos fundos, dos projectos que elaboramos e são apresentados dentro e fora do País. Os financiamentos vêm dos membros, pessoas de boa vontade, empresas públicas e privadas e de várias iniciativas que a Cruz Vermelha desenvolve.

Está satisfeito com o trabalho da Cruz Vermelha em Angola?

Sim. Estamos no País há muitos anos, penso que há 49 anos. E fazemos um trabalho humanitário para bem-estar das populações. Sabemos que a Cruz Vermelha esteve muito activa em outros anos, quando tínhamos aqui o Programa Alimentar Mundial, mas continuamos a trabalhar.

O que mudou desde a saída do PAM e outras ONG"s?

A situação política, económica e social do País. Sabemos que existe uma crise económica financeira mundial e isso também nos afecta, principalmente nós angolanos e em África. Mas não estamos adormecidos e por isso somos parceiros do Governo.

Leia o artigo integral na edição 762 do Expansão, de sexta-feira, dia 09 de Fevereiro de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)